À espera do sinal verde

Editorial / 01/08/2020 - 06h00

A entrevista coletiva dos secretários municipais diretamente envolvidos no combate à pandemia de Covid-19 para detalhar a proposta de retomada de atividades e segmentos pode ser analisada por dois prismas. Para quem se vê há quase cinco meses obrigado a manter as portas fechadas e abrir mão do atendimento presencial, ela se mostrou frustrante, por não trazer a informação mais ansiada: uma data palpável. Por outro lado, trouxe um panorama a ser levado em consideração dentro das sinalizações científicas e do monitoramento de especialistas. Que são exatamente os pontos primordiais para a tomada de qualquer decisão relativa à flexibilização das regras de circulação.

Parece mais do que sensato tomar como base os principais indicadores referentes à doença em Belo Horizonte. Não é de hoje que o número médio de transmissão por infectado (Rt) inferior a 1 é a meta no que diz respeito à curva de contágio pelo novo coronavírus. Na prática, sinal de que uma pessoa com a doença, em média, não a transmitiria para múltiplas outras. Ainda assim, há o tempo de incubação para que eventuais novos casos se confirmem e mantenham a pressão sobre o sistema de saúde. Exatamente onde entram os percentuais de ocupação de leitos de UTI e enfermaria na rede pública pela Covid.

Desde o primeiro momento da pandemia estava claro que cada cidade ou região teria de lidar com o enfrentamento de acordo com a sua realidade. O que torna estéril qualquer tentativa de comparação com outras regiões do país que, porventura, estejam em fase avançada de reabertura. Há que se lembrar ainda que muitas das que o fizeram de forma precipitada foram obrigadas a recuar, alongando o período de quarentena e incertezas.

Quando for possível trocar os sinais de vermelho, amarelo e verde para verde, verde e amarelo (em que ordem for), aí sim será possível levar o plano adiante, com maior possibilidade de êxito. A quem reclama que nada tem sido feito, ou que o prazo se estende de forma demasiada, vale lembrar que já existem os protocolos a serem adotados, bem como a determinação das fases de reabertura. O prazo exato não depende apenas da Prefeitura ou do sistema de saúde, mas de todos. E quanto mais se fizer para inibir a transmissão do vírus, mais rápido os indicadores permitirão os passos tão esperados.
 

 

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