A matemática do coronavírus

Editorial / 25/03/2020 - 06h00

Falar de números é essencial ao se acompanhar qualquer tipo de doença, sobretudo uma pandemia da magnitude da Covid-19 – não só pela quantidade de vítimas que faz quanto pela agilidade com que avança pelo mundo.

É com base nos registros que as autoridades se organizam, projetam o futuro e traçam as estratégias para sanar problemas – sejam eles econômicos, de saúde ou sociais.

É claro que lidar com uma doença como a causada pelo novo coronavírus é algo desafiador – se deixa à beira da loucura países desenvolvidos, como Itália e Espanha, ou extremamente organizados, como a China, imagine a repercussão que tem no Brasil, mergulhado numa séria crise econômica e contando moedas para o Sistema Único de Saúde.

Por isso, ter dados confiáveis em mãos para definir o que fazer é mais do que fundamental neste momento – ajuda a salvar vidas e certamente a destinar bem os recursos, pois irá ajudar a definir para onde as verbas públicas deverão ser direcionadas prioritariamente e em determinada quantidade.
Daí causar estranheza a miscelânea de números que parece tomar conta do noticiário, à medida em que a Covid-19 avança. 

Minas, que vinha registrando um aumento expressivo (e aparentemente lógico) nos casos nos últimos dias – 44%, 50% e 54%, de sexta passada até segunda-feira – teve, no último boletim divulgado, a confirmação de apenas mais dois pacientes, ou 1,56%. Em contrapartida, o número de casos suspeitos passou de 7.766 para 11.832. 

Como a quantidade de pessoas com diagnóstico descartado não foi informada, ou tivemos um aumento considerável – de pelo menos 4 mil – nos registros sob investigação em 24 horas ou a velocidade dos resultados do teste é muito pequena. E nenhuma das duas hipóteses é boa – devem embaralhar até os técnicos da saúde, dificultando decisões que precisam ser tomadas de forma dinâmica, dada a mudança frequente nos cenários da pandemia.

É imprescindível que possamos contar com uma leitura segura e fidedigna das notificações, no país, em cada Estado e município. Na Coreia do Sul, por exemplo, a realização de testes em massa, sem demora, parece ter sido o pulo do gato para identificar fontes de infecção precocemente e controlar a doença. No Brasil, onde só serão realizados testes para os casos muito graves, segundo o poder público, já entramos perdendo. Então, valorizar a matemática e ler com lupa os (poucos) dados que temos pode ser a fronteira entre uma estratégia mais ou menos bem-sucedida. 
 

 

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