Acidentes de trânsito destroem a infância

Editorial / 11/10/2018 - 06h00
Foi comovente a história, divulgada anteontem, do menino de seis anos que sobreviveu a um grave acidente, no Triângulo Mineiro, no qual morreu toda a família, de Campinas (SP). Ele foi encontrado dois dias depois, à beira da rodovia, quando o grupo era dado como desaparecido. 
 
Segundo as autoridades, o garoto passou por maus bocados. Permaneceu por longas horas em uma vala, sozinho, mas ao lado dos pais e do irmão de 8 anos já falecidos. Com certeza, precisará de intenso apoio psicológico para superar o trauma. Mas, felizmente, sobreviveu.
 
Dados trazidos nesta edição, sobre acidentes envolvendo crianças e que geraram indenizações, mostram uma realidade igualmente trágica, mas, ao mesmo tempo, diferente, se levado em conta o desfecho da tragédia para o menino de Campinas. 
 
Levantamento da seguradora que administra o DPVAT aponta que, de janeiro a setembro, em Minas, pelo menos 240 crianças de 0 a 7 anos foram vítimas de ocorrências no trânsito. Desse total, 47 perderam a vida e 147 ficaram com invalidez permanente – 16 por mês. 
 
Boa parte dos casos diz respeito a atropelamentos (152 pequenos) e outra grande parcela é de crianças que estavam dentro de veículos (88). 
 
Entre as explicações para o elevado número de atropelados, segundo especialistas, estão a frágil condição física das vítimas, a distração e dificuldade de percepção de perigos. 
 
Sem falar, claro, no fato de que meninos e meninas tendem a reproduzir o comportamento de pais e familiares em diversas situações, o que inclui o trânsito. Se tais pessoas, muitas vezes, não atravessam as vias nas faixas, desrespeitam semáforos ou não usam passarelas, por que os menores fariam diferente?
 
Já no caso de quem se acidentou na condição de passageiro, a não adoção de medidas de segurança, também pelos responsáveis, é uma das principais causas de sequelas. 
 
Afinal, é obrigatório o uso de cadeirinhas, para crianças de 1 a 4 anos, e de assentos de elevação com uso do cinto de três pontos, para as que têm de 4 a 7 anos.
 
Não resta dúvida de que a boa educação, a começar pelo exemplo dos adultos, e o respeito às leis poderiam reduzir, e muito, as tristes estatísticas. 
 
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