Aeroporto da Pampulha merece utilização digna do espaço

Editorial / 29/06/2020 - 06h00

Ele existe há 87 anos, muito antes que o entorno fosse transformado, pelo então prefeito Juscelino Kubitschek, no que hoje é patrimônio da humanidade. Por mais de meio século, foi a principal porta de entrada e saída da capital pelo ar. 

Mesmo depois da criação do Aeroporto Internacional de Confins, manteve um papel importante no transporte aéreo regional, especialmente quando havia grande opção de empresas operando com aeronaves de menor porte. Ainda que com limitações diante da intensificação do movimento, sempre foi visto com carinho no imaginário do belorizontino. Mas, nos últimos anos, ao mesmo tempo em que a ocupação do entorno criou um problema em termos de segurança, e teve início uma queda de braço envolvendo a operação de jatos e os voos permitidos, entrou em declínio. Hoje, o Aeroporto da Pampulha é imensamente sub-utilizado e ocioso, com movimento anual que não chega a 5% do já registrado.

Com o crescimento e o investimento em Confins, realmente é irreal pensar numa malha aérea partindo da Pampulha semelhante à já registrada na década passada. Planos de reformulação, como os aplicados em Congonhas (São Paulo) e Santos Dumont (Rio) não saíram do papel e, ao que tudo indica, jamais sairão. Ainda assim, há estrutura suficiente para funcionamento em volume bem maior do que o registrado.

A retomada da administração do complexo pelo Governo Estadual traz uma perspectiva importante de aproveitamento, com a possibilidade de participação da iniciativa privada. Estimular as atividades de aviação executiva e manutenção é um caminho positivo, embora não se deva perder do horizonte a possibilidade de retomar a condição de hub regional, tão logo haja condições e interesse para tal.

Por outro lado, a sugestão de urbanistas e o exemplo que vem de outro aeródromo da capital, o Aeroclube do Carlos Prates, que tem emprestado suas instalações para vários tipos de usos e atividades, devem ser levados em conta. 

Diante das dimensões generosas do terreno e de sua sub-utilização atual, pode-se sim apostar na criação de espaços educacionais e de lazer; de um museu aeronáutico que se somaria às obras do conjunto arquitetônico da Pampulha e mesmo de centros de compras e convivência. Ir muito além da atividade-fim para não só envolver a comunidade do entorno como transformar a ociosidade em retorno, não apenas econômico. O espaço merece uma utilização digna.

 

 

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