Cartilha polêmica para o Carnaval de BH

Editorial / 14/02/2020 - 06h00

O Conselho Municipal de Igualdade Racial, órgão vinculado à Prefeitura de Belo Horizonte, divulgou nesta quinta-feira cartilha com recomendações para o Carnaval, em acordo com os mais do que consagrados preceitos da igualdade racial, de gênero e dos direitos das minorias.

Entre as sugestões estão a de evitar o uso de adereços como perucas dreadlock (inspiradas no cabelo trançado dos afrodescendentes); a representação do negro de forma caricata (como no caso das pinturas feitas por pessoas de outras etnias); e mesmo de não executar marchinhas como “Teu cabelo não nega” e “Mulata Bossa Nova”, que se transformaram em clássicos da folia.

O mesmo vale para índios, ciganos e o que a entidade chama de ‘Trans-fake”: os homens que se vestem de mulher durante a festa.

Não se questiona, de modo algum, a importância de respeitar todas as origens, grupos sociais, minorias e escolhas de vida – resumidamente, as centenas de milhões de individualidades que compõem o caldeirão social brasileiro. Algo que, inclusive, deve perpassar os quatro dias de folia e estar arraigado nas convicções de cada um.

Por outro lado, é necessário refletir sobre as condições específicas da festa. O Carnaval é, por si só, momento de viver realidades alheias às de costume, o que é simbolizado pelas fantasias. Uma ocasião para exercitar a criatividade, a crítica social e até mesmo a reflexão, de modo descontraído.

Não há números exatos, mas a grande maioria das pessoas que se vestem (ou a seus filhos) de índio, cigano ou mesmo com perucas; e inclusive se transvestem, não têm por objetivo zombar dos personagens retratados. Partindo de tal lógica, talvez fosse o caso, então, de renegar também a fantasia de pirata – representação de um criminoso dos mares; de árabe, asiático e todas as raças que acabam incorporadas ao imaginário coletivo das ruas.

O Carnaval é festa democrática e, enquanto tal, deve ser espaço aberto a todos os tipos de manifestações bem-humoradas e respeitosas, tanto mais quando há integração entre homens e mulheres; brancos e negros; hétero e homossexuais. Para quando não for este o caso, existem leis específicas e, tão importante quanto, a voz da maioria para denunciar manifestações condenáveis.

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