Credibilidade do FMI em queda

Editorial / 26/04/2014 - 08h11

Relatório do FMI divulgado quinta-feira em Lima, no Peru, não é lisonjeiro ao Brasil, ao afirmar que ele terá neste ano uma das menores taxas de expansão das Américas, com seu Produto Interno Bruto (PIB) crescendo 1,8%. Melhor, porém, que a Argentina e a Venezuela. Para a primeira, a previsão é de elevação de apenas 0,5% e, para a segunda, de retração de 0,5%.

Os três países têm-se mostrado refratários à política econômica recomendada pelo Fundo Monetário Internacional, que defende os interesses do mercado financeiro e não soube evitar a crise mundial provocada por esse mercado, em 2008.

Países que se viram obrigados depois a seguir suas recomendações continuam em pior situação do que o Brasil, mas eles deixaram de preocupar os banqueiros e, por conseguinte, os economistas do FMI e a própria imprensa. Uma explicação para isso foi dada ontem pelo colunista Vinicius Torres Freire, da editoria de economia da “Folha de S.Paulo”. Escreveu ele: “Como é o couro do povo que está sendo esfolado, e não o da finança, o noticiário arrefeceu.”

Os números citados pelo colunista não deixam dúvidas sobre quem está melhor hoje. A renda média (PIB per capita) na zona do euro está 3,5% menor que em 2007. Sendo que na Grécia – o país que mais de perto seguiu a cartilha do FMI de combate à crise – ela é 22% menor. A expectativa é a de uma década perdida, pois só em 2017 a eurozona alcançará os níveis econômicos existentes antes do início da crise financeira internacional.


Para o FMI, o ideal é que todos os países que leram por sua cartilha estivessem bem melhor do que o Brasil.

Insiste em bater na tecla do fraco desempenho do país, que atribui, entre outros fatores, à falta de confiança dos empresários para investir e aos gargalos na infraestrutura, “que desestimulam o investimento privado”. Mas não deveria ser o contrário? Para um mundo no qual sobra capital e escasseiam as oportunidades de investimento, faria melhor o FMI, se não se movesse por outros interesses, ressaltar o filão existente no país.

Em entrevista ao Hoje em Dia, Cláudio Gontijo, professor de Economia da UFMG, afirmou que o FMI vem cometendo erros constantes em suas análises, principalmente com relação ao Brasil. Ao contrário do que sugeriu o relatório divulgado no Peru, não há risco de calotes de empresas brasileiras que se endividaram no exterior, declarou por sua vez o presidente de Política Econômica e Industrial da Fiemg, Lincoln Fernandes.

As entrevistas foram publicadas no mesmo dia em que se informou que o lucro da Usiminas no primeiro trimestre é o maior desde 2010 e que o Bradesco, segundo maior banco privado do país, lucrou no período R$ 3,4 bilhões. O lucro foi 18% maior que o do 1º trimestre do ano passado, refletindo a redução da inadimplência dos clientes.

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