#Dialaranja: um grito oportuno de socorro

Editorial / 06/12/2019 - 06h00

A cada hora duas mulheres são vítimas de violência doméstica em Belo Horizonte. Número que, extrapolado para um ano, representa mais de 18 mil casos, com consequências trágicas em diferentes graus – dos traumas psicológicos às lesões físicas, quando não as mortes. Um fenômeno que se apoia no machismo e numa tradição patriarcal que não condizem com a sociedade do Século XXI. Em que a mulher, de forma mais do que justa, deixa de ser simplesmente a mãe, para assumir a posse de seu corpo, suas escolhas e destino. Ainda que a desigualdade persista em várias esferas, notadamente a econômica, com remunerações diferenciadas conforme o gênero.

Por muito tempo, a impunidade foi aliada dos agressores, que fizeram impor o silêncio pelo medo de represálias ainda mais graves. A criação de delegacias especializadas e, mais recentemente, o poder agregador das redes sociais, começam a jogar luz sobre essa realidade e a apontar caminhos para proteger o lado fraco da equação. Mas, como mostra o levantamento da Polícia Civil de Minas Gerais (que considera apenas os casos notificados), o caminho ainda é longo – as ocorrências registradas e os casos levados à Justiça ainda são muitos, e preocupantes.

Neste cenário, se é compreensível que as vítimas ainda tenham receio em tomar a frente da luta, o coletivo pode ter papel transformador e efetivo. Algo resumido de forma brilhante na frase “Ninguém solta a mão de ninguém” (viralizada pela artista mineira Thereza Nardelli). Dar as mãos para clamar por justiça; para chamar a atenção para a gravidade do quadro e mostrar força diante de uma ameaça que se perpetua, por mais que muito tenha sido feito.

Nesse contexto, a iniciativa da ONU, com a campanha #Dialaranja, de caminhadas em cidades de todo o mundo (a capital mineira entre elas), cai como uma luva. Informação, esclarecimento e, para usar uma palavra em voga atualmente, empoderamento são respostas poderosas a uma ameaça muitas vezes escondida nos limites do lar.

Felizmente as mulheres ganharam voz e passaram a denunciar, cobrar; ganharam uma rede de amparo que antes não existia. Mas ainda é pouco diante do desafio de dar fim à ação dos agressores. Para que o dia laranja, na verdade, sejam todos. 

 

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