Elevação de feminicídios e cultura machista

Editorial / 11/09/2019 - 06h00

Minas Gerais lidera os números absolutos de feminicídio no país, segundo dados do 13º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado ontem pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública e objeto de reportagem desta edição.

Conforme o levantamento relativo a 2018, embora os números de homicídios tenham diminuído, o Estado registrou 156 casos de mulheres assassinadas em razão das chamadas violência de gênero e violência doméstica. Ou seja, elas morreram, em última análise, por serem mulheres. 

Tal quantidade, que representou uma elevação de 3,4% em relação a 2017, também configurou praticamente a metade (47,9%) de todos os crimes que levaram mulheres à morte em Minas, e não foram necessariamente ligados ao gênero das vítimas, como latrocínios, sequestros e lesões corporais.
Isso significa que, a cada duas mineiras ou visitantes ao Estado vitimadas aqui pela criminalidade, ao longo do ano passado, uma perdeu a vida pela ação direta de cônjuges, ex-companheiros, “amigos” ou familiares.

Também chama a atenção o fato de que o montante de feminicídios praticados em Minas, em que pese o tamanho da população (21 milhões de habitantes), foi quase o dobro de crimes do tipo notificados em Pernambuco (75) e Bahia (74), por exemplo, que integram a lista dos cinco “campeões” nacionais. O último, aliás, é o Estado que mais conseguiu reduzir as mortes de mulheres por gênero, com queda de mais de 75% sobre 2017.

Os dados, certamente, apontam um inaceitável crescimento da violência contra o sexo feminino, em crimes quase sempre relacionados à cultura do machismo – sobretudo em território mineiro, onde há forte presença de tal comportamento. Por outro lado, pode-se dizer que os registros são fruto da maior evidência dada a casos de abusos contra mulheres, a partir da tipificação do feminicídio e da Lei Maria da Penha.

O que se espera, de qualquer forma, é que, em função de um rigor cada vez maior das autoridades em punir agressores e em efetivamente proteger as mulheres ameaçadas –aliado a uma crescente conscientização quanto ao tema em todas as classes –, as estatísticas caiam. Rápida e vertiginosamente. 

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