Esforço extra contra a violência nas escolas

Editorial / 08/11/2019 - 06h00

Há quase oito meses, um adolescente e um homem encapuzados atacaram uma escola estadual em Suzano (SP), da qual eram ex-alunos, e mataram sete pessoas, entre elas cinco estudantes e duas funcionárias. 

Na sequência, um deles atirou no comparsa e se suicidou.

O caso suscitou o temor de que tal tipo de ação, comum nos Estados Unidos, estivesse tornando-se corriqueira também no Brasil.

Na manhã de ontem, um crime parecido foi registrado em Ponto de Marambaia, na zona rural da pequena Caraí, no Vale do Jequitinhonha. 

Um jovem de 17 anos pulou o muro e entrou em uma escola estadual, armado com uma garrucha, um facão e uma arma falsa. Ele disparou contra dois colegas, que ficaram feridos.

Apreendido pela polícia, o suspeito, considerado calmo e bom aluno pela direção da unidade, disse que fez o ataque para “amedrontar” duas meninas que não aceitaram ter um relacionamento com ele. 

Fato é que, mesmo com menor gravidade do que houve em Suzano, e com o motivo fútil apresentado pelo agressor, a ocorrência desperta, mais uma vez, a atenção das autoridades mineiras para o enorme problema de violência em unidades de ensino, tratado em reportagem desta edição.

Só nesta semana, vale lembrar, pelo menos dois acontecimentos relacionados ao tema foram destacados pelos jornais.

Em Governador Valadares, no Leste de Minas, no domingo, um adolescente de 16 anos foi assassinado na quadra de uma escola do bairro Atalaia. O crime estaria relacionado ao tráfico de drogas e à disputa de território entre gangues. 

Na terça-feira, em uma escola de Uberaba, no Triângulo, outro garoto, de 14, foi levado ao hospital com um corte profundo no rosto, depois de levar soco de um colega na quadra do estabelecimento.

Embora tais situações em instituições de ensino sejam reflexo de uma realidade mais ampla, de perda de limites, é preciso que haja um esforço extra, especialmente do poder público, para garantir a segurança de alunos e profissionais do setor, dentro e nos arredores desses locais. Educação e violência não deveriam, jamais, aparecer no mesmo contexto.

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