Espaços culturais em falta com a segurança

Editorial / 12/06/2019 - 06h00

Em setembro do ano passado, logo após o incêndio que devastou o Museu Nacional, no Rio, o governo mineiro criou uma força-tarefa para vistoriar dezenas de espaços culturais no Estado, avaliando condições de segurança e dando orientações aos responsáveis sobre como reforçar a prevenção a desastres do tipo. 

O Corpo de Bombeiros, por exemplo, deu início a uma série de visitas a cerca de 350 museus mineiros, sendo que, em BH, a lista incluía, entre outros, o Museu de Artes e Ofícios, na Praça da Estação, o Palácio das Artes, os museus do Circuito Liberdade, o Museu de Ciências Naturais da PUC Minas. 

Reportagem desta edição mostra que, passados nove meses desde o início das ações, de 40 espaços públicos e privados dedicados a eventos culturais na capital, e constantes na relação dos fiscalizados, 29, ou 70%, ainda apresentam falhas de segurança. 

Os itens que motivaram notificações vão de extintores com a data de validade expirada à precariedade de instalações elétricas.

Embora o resultado não denote a iminência de incêndios ou altos riscos ao público, o que poderia significar suspensão de visitação às unidades ou medidas até mais drásticas, é fundamental que os responsáveis corrijam, rapidamente, todos os problemas apontados pelos bombeiros.

Já é absurdo que, depois de tanto tempo para se adequar às normas de segurança, quem cuida de equipamentos culturais ainda não tenha entendido a necessidade de adotar à risca medidas preventivas obrigatórias e previstas na legislação.

O impacto das imagens da destruição no Museu Nacional, em 2018, e da Catedral de Notre Dame, em Paris, mais recentemente, aliado à memória ainda viva de incêndios catastróficos como o do Canecão Mineiro, em 2001, em Belo Horizonte, e da boate Kiss, em 2013, em Santa Maria (RS) – com centenas de mortos e feridos –, deveria ser suficiente para provocar uma mudança drástica de comportamento, tanto das próprias autoridades quanto das pessoas que lidam com a cultura e o entretenimento. 

Passou da hora de brasileiros deixarem de agir apenas reativamente, esperando a ocorrência de tragédias para anunciar medidas corretivas que, com o tempo, muitas vezes, acabam no esquecimento.

 

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