Hora de lutar após a lama derramada

Editorial / 12/02/2019 - 06h00


Duas tragédias provocadas pelo homem – ou seja, nas quais não se pode falar em acidente ou fatalidade –, separadas por pouco mais de três anos. 

Na primeira, em Mariana, em 5 de novembro de 2015, o dano ambiental foi bem maior que o humano – o que, obviamente, não torna o último menos impactante.

O rompimento da barragem de Fundão, da Samarco, pertencente à Vale e à BHP Billington, deixou 19 mortos e cobriu de lama mais de 1.500 hectares de áreas habitadas e de vegetação, boa parte deles de mata atlântica. 

A área foi equivalente a mais de 1,5 mil campos de futebol. Sem contar que os rejeitos seguiram por cursos d’água até atingir o Rio Doce e fluir por mais de 600 quilômetros até o mar, matando fauna e flora no caminho. 

No segundo desastre, ocorrido em 25 de janeiro, o número de mortes a partir do vazamento abrupto de rejeitos de uma barragem da Vale, em Brumadinho, foi assustador. 

Até ontem, haviam sido contadas mais de 160 vidas perdidas, entre funcionários da empresa e moradores vizinhos, e restava a mesma quantidade de desaparecidos. 
Em relação aos impactos ambientais, a estimativa, para Brumadinho, era de danos diretos a 270 hectares de vegetação, o que também inclui trechos de mata atlântica, à beira do Córrego do Feijão. Fora as graves consequências previstas para o próprio curso d’água, o rio Paraopeba e, possivelmente, até o São Francisco. 
Reportagem desta edição mostra que, como em Mariana, o tempo de recuperação da área vizinha à barragem do Feijão, segundo ambientalistas, é estimado, no mínimo, em dez anos. O prazo, contudo, estende-se a 100 anos, caso se almeje ver o lugar exatamente como era, antes da catástrofe.

É fundamental que, assim como se espera em relação às vítimas e seus familiares e às cidades atingidas – e economicamente afetadas –, não se meça recursos e não se permita quaisquer protelações na reparação aos danos ambientais.

Sobretudo se for comprovado que a mesma empresa, responsável direta e indireta por ambos os casos, permitiu que acontecessem em razão de algum tipo de economia. Que cada centavo eventualmente poupado seja aplicado na compensação por tamanhos estragos. 
 

 

Publicidade
Publicidade
Publicidade
Comentários