Indicadores do IBGE desafiam governantes

Editorial / 06/12/2018 - 07h00


Divulgada ontem, a Síntese de Indicadores Sociais (SIS) 2018 do IBGE mostrou dados alarmantes para um país que supunha, pelo menos, estar começando a vencer a recessão. 

Conforme a pesquisa, mais de um quarto da população nacional (26,5%) estava, em 2017, abaixo da linha da pobreza medida pelo Banco Mundial – remuneração de até US$ 5,50 diária por pessoa em países de renda média-alta.
São 54,8 milhões de habitantes, 2 milhões a mais que em 2016, vivendo com renda inferior a R$ 406 por mês, ou menos da metade de um salário mínimo (R$ 954). 

Diante dos números, tudo leva crer que houve um grande retrocesso no que tange a indicadores de renda quando se esperava avanços.

Em Minas, embora, no referido quesito, a situação seja um pouco menos desfavorável que a do país, os números também são desanimadores: 20,9% da população, que hoje soma 20,8 milhões de habitantes, encontravam-se na linha pobreza, também conforme a medida do Banco Mundial. 

Ao analisar a distribuição dos rendimentos apontada pelo SIS percebe-se ainda que mais da metade dos brasileiros recebiam até um salário mínimo per capita (58,9%) em 2017. No Estado, o percentual era de 57,2%. 

Na outra ponta, a dos mais abastados, só 4% dos brasileiros ganhavam mais de 5 salários mínimos, sendo que, em Minas, o percentual era ainda menor: 3,3%. Nesse particular, a inferência é de que ainda persiste, de maneira gritante, a desigualdade na distribuição da riqueza, no país e no Estado.

É igualmente preocupante o fato de que 30% dos mineiros apresentavam restrições no acesso à educação, no ano passado, o que denota falhas nas políticas públicas para o setor. Sem falar que 18,7% dos cidadãos não contavam em seus domicílios com serviços de saneamento básico. 

Voltando ao quesito ensino, chama a atenção o fato de que, em 2017, mais da metade dos mineiros com mais de 25 anos (54,4%) tinha formação, no máximo, até o nível fundamental – índice superior ao do país, de 49,4%. 
Espera-se que esses e outros indicadores, por mais desafiadores que pareçam, sirvam de base para as principais ações dos governos que terão início em 2019, tanto no plano federal quanto no Estado. 
 

 

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