Mãos duplas e únicas e os desafios do trânsito

Editorial / 15/05/2019 - 06h00

O tráfego intenso na cidade e a quantidade insuficiente de vias aptas a suportar grandes fluxos e fazer a ligação entre as regiões – o que acaba transformando os bairros na melhor “rota de fuga” para muitos motoristas –, são algumas das principais explicações para a crescente alteração de mãos de ruas na capital.

Segundo reportagem desta edição, só nos últimos quatro anos, a BHTrans fez 207 intervenções do tipo na cidade, todas elas para transformar vias de mão dupla em mão única, em diferentes bairros.

Especialistas dizem que tais mudanças são uma tendência da gestão de trânsito em metrópoles com as características que tem a capital, onde muitas ruas foram desenhadas e construídas sem o espaço necessário para o tráfego em dois sentidos.

Deve-se lembrar ainda que o significativo crescimento dos aplicativos de transporte de passageiros, nos últimos anos, ampliou a utilização dos bairros pelos motoristas.

Isso se deve ao fato de que, com o uso do GPS e outros programas que os direcionam por caminhos menos congestionados, tais condutores acabam fugindo para os bairros em suas viagens, transferindo para lá o fluxo que estaria nas regiões centrais.

Isso tudo torna razoável o planejamento para que, em áreas que experimentam elevação na circulação de veículos – e cujas vias não tenham largura adequada para suportar o movimento de ir e vir – algumas sejam designadas só para um sentido e outras, só para o oposto.

No caso das vagas de estacionamento junto às calçadas, que inviabilizam a mão dupla, também se verifica dificuldades até para implantação da mão única, sobretudo naquelas que integram o trajeto de linhas de ônibus. 

Tal fato remete a outro problema que precisa ser enfrentado para tornar mais fluido o trânsito em Belo Horizonte: o excesso de áreas para estacionar. Nesse e em outros aspectos, as soluções, certamente, transcendem a simples mudança de sentido nas vias. 

Elas passam pela adoção de medidas mais amplas, como a diminuição das faixas de estacionamento, a melhoria do transporte público, o que reduziria a utilização de automóveis e, portanto, os congestionamentos, e o incentivo a meios alternativos de locomoção, como as bicicletas compartilhadas. 

 

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