Mais suporte aos casos de gravidez prematura

Editorial / 11/02/2019 - 06h00


Os números da maternidade precoce são altos e preocupam as autoridades de saúde em Minas. Reportagem desta edição, a propósito da Semana Nacional de Prevenção da Gravidez na Adolescência, encerrada na sexta-feira passada, mostra que no Estado são realizados, em média, 39 partos de meninas entre 12 e 17 anos por dia.


Só de janeiro a setembro de 2018, dados mais recentes disponíveis, foram 10,7 mil desses procedimentos em maternidades e hospitais espalhados por Minas.

 
Por trás das estatísticas, estão histórias peculiares, mas quase sempre parecidas. São, geralmente, jovens que engravidam logo nas primeiras relações sexuais, feitas sem métodos contraceptivos, e veem-se em um dilema: adotar práticas abortivas, ainda ilegais no país, ou levar adiante a gestão, escondida da família nos primeiros meses.


As consequências também são similares: as jovens mães, muitas vezes sem apoio dos pais das crianças, que raramente assumem seus papeis, abandonam os estudos e passam a depender das famílias para sobreviver. Com pouca maturidade, muitas sentem-se sem rumo, o que piora a situação.


Outro aspecto digno de atenção são os perigos à saúde relacionados à gravidez precoce, que afetam tanto mães quanto recém-nascidos. 


Os partos de mães mais novas, via de regra, têm maior potencial para complicações que os realizados em mulheres mais velhas, como hemorragias, anemia, hipertensão arterial e transtornos psicológicos.


Triste também é constatar que tal situação costuma afetar, principalmente, meninas sem escolaridade ou apenas com a educação básica. Segundo a OMS, quem tem tal perfil apresenta quatro vezes mais chances de engravidar em comparação a jovens com ensino médio ou superior. 


São fundamentais ações do poder público no sentido de conscientizar adolescentes de ambos os sexos sobre o tema, reforçando a necessidade de que tenham responsabilidade ao estabelecer relacionamentos e de que jamais deixem de proteger-se ao fazer sexo. 


Da mesma maneira, na gravidez, é imprescindível que se ofereçam programas de suporte nos centros de saúde. O objetivo deve ser manter mães e suas crianças saudáveis, física e mentalmente, e possibilitar que enfrentem o mínimo de atribulações possível em momentos delicados, mas especiais de suas vidas. 
 

 

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