Mais uma adequação no projeto da Via 710

Editorial / 14/08/2019 - 06h00

Com cinco anos de obras e após cinco adiamentos, a Via 710, fundamental ligação entre as regiões Leste e Nordeste de Belo Horizonte, deve finalmente ficar pronta no primeiro semestre de 2020, segundo reportagem desta edição.

Entre os principais problemas enfrentados a partir de setembro de 2014, quando teve início a intervenção, destacaram-se a necessidade de 229 desapropriações de terrenos regulares e de 89 remoções em áreas de ocupação irregular, que acabaram judicializadas. 

A obra, feita também em parceria com empreendimentos privados, situados ao longo do percurso e que impactam o trânsito na região, sofreu outros obstáculos que ampliaram o prazo de execução. Foram os casos de árvores tombadas pelo patrimônio histórico e da necessidade de adequação de projeto em virtude da obra de ampliação do canal do córrego Cachoeirinha. 

Agora, a PBH anuncia uma nova proposta de alteração em relação ao projeto original. Algumas casas que seriam demolidas, conforme a programação inicial, podem permanecer nos locais de origem, teoricamente, sem comprometer a eficiência no corredor viário. 

A mudança ocorreria na vila Artur de Sá, no bairro União, local em que a nova avenida fará ligação com a Cristiano Machado. Com isso, em vez da retirada de 26 moradias da vila Artur de Sá, metade poderia ser mantida, atendendo a pedidos da comunidade. 

Especialistas dizem, contudo, que a medida pode ser prejudicial à obra e a seus objetivos. O traçado diferente do previsto, apenas para tentar driblar as remoções de moradias, desqualificaria estudos prévios e o resultado seria uma menor eficiência da solução viária.

É importante que a PBH leve tais argumentos em consideração e não faça a alteração de forma açodada, apenas no intuito de entregar, com rapidez, o que foi prometido, evitando novas paralisações. 

Além de riscos à população que permanecerá nas casas preservadas, com a proximidade das pistas, a Via 710 não pode deixar de atender aos propósitos que a motivaram, como o de criar novos caminhos e possibilitar o surgimento de novas centralidades na capital.

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