Moto exige consciência e cuidados do condutor

Editorial / 18/02/2019 - 06h00

O famoso médico e humorista Max Nunes, já falecido e padrinho profissional do comediante e apresentador Jô Soares, disse certa vez ao afilhado, que acabara de sofrer um acidente de motocicleta: “A moto tem duas rodas e foi construída para cair; um dia, ela ganha”. 

Reportagem desta edição comprova tal ideia, ao relatar que, a cada dois acidentes registrados nas estradas do Estado, um envolve motociclistas. 
Segundo a Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp), só entre janeiro e novembro do ano passado, último dado disponível, de 10.859 batidas registradas nas rodovias que cortam Minas, em 5.352 havia a presença de pelo menos uma moto.

Especialistas indicam que a imprudência, tanto dos condutores das motocicletas quanto de motoristas de carros e caminhões, e o descaso com equipamentos de segurança estão entre as principais causas de quedas e colisões.

E, aí, entram ainda as falhas na fiscalização, já que a maior parte dos acidentes com os veículos de duas rodas se dá em cidades do interior, cortadas por rodovias. Nesses locais, muitos motociclistas costumam circular em condições e com comportamentos que denotam flagrante desrespeito a regras básicas de trânsito, muitas vezes sem ser incomodados pelas autoridades.

Recentemente, por exemplo, equipe deste jornal percorreu a BR-381, entre a capital e Caeté, na região metropolitana, e, em apenas quatro horas, flagrou 15 infrações, a maioria por ultrapassagens indevidas. Trata-se de violação gravíssima, com multa de R$ 1.467,35 e a perda de sete pontos na carteira.
Apesar dos números alarmantes, não deve-se simplesmente desaconselhar o uso de motos. Afinal, são veículos econômicos e que proporcionam grande agilidade de locomoção. 

O que as estatísticas indicam é a necessidade de cuidados redobrados para evitar e reduzir impactos de eventuais acidentes. Capacetes de eficácia comprovada, que são obrigatórios, além de luvas, roupas e sapatos especiais – infelizmente, não especificados pelo Código de Trânsito Brasileiro (CTB) – deveriam ser usados constantemente por motociclistas.

Da mesma forma, seria crucial haver rigor ainda maior que o atual na formação de condutores. Quem sabe, assim, as motos deixassem de confirmar com tanta frequência a vocação natural apontada por Max Nunes.
 

 

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