Não é hora de ganhar muito

Editorial / 31/07/2016 - 06h11


Quem teve a oportunidade de ter algum dinheiro sobrando para investimento, principalmente na primeira década deste século, sempre ouvia de especialistas a possibilidade de adquirir imóveis para alugar, tanto comerciais quanto residenciais. Foi um dos negócios que mais, como diz a turma mais moderna, “bombaram” recentemente. 

Com o crescimento forte da economia naquela época havia menos locais para alugar do que a demanda, e os preços dispararam. Quem seguiu as orientações não pode reclamar dos ganhos que obteve. 

Só que, agora, a conversa é outra, o momento é outro. E os resultados não poderiam ser, também, os mesmos. Atualmente, há na capital mineira cinco vezes mais imóveis disponíveis para locação do que no mesmo período do ano passado. 

É natural, pois se o brasileiro já está tendo dificuldade para colocar o arroz com feijão no prato do almoço, imagine para abrir um negócio no meio dessa crise toda. 

O momento exige mudança de estratégia e criatividade para evitar o encalhe. Mesmo com a garantia legal do aumento anual pela inflação, não há como os proprietários de imóveis quererem cobrar dos locatários os mesmos valores praticados há quatro ou cinco anos.

O Hoje em Dia já mostrou situações como a da Savassi, onde uma loja chega a custar R$ 20 mil mensais de aluguel. Isso em uma região que já estava longe dos seus melhores dias, mesmo antes do pior da crise. Outro exemplo é o Barro Preto, que teve um aumento de 80% nos preços dos aluguéis após a revitalização do bairro, conforme nos relata um lojista. Vale destacar que a obra foi feita pela prefeitura, e não pelos donos dos imóveis, que apenas usufruíram das melhorias. 

Enquanto isso, vários microempresários migram para regiões que ainda crescem, como a região dos Seis Pistas, como também mostramos, onde é possível encontrar aluguéis comerciais a R$ 10 mil. 

Segundo entidades do setor, algumas promoções já estão sendo feitas, como redução no preço do aluguel em até 40% e carência de um mês. Mesmo assim, o tempo médio de espera para que um imóvel seja alugado passou de 45 dias para dez meses. Ou seja, o esforço dos locadores ainda é pouco. 

Talvez maior de carência ou outra vantagem, principalmente na redução da burocracia para alugar, permita a mais pessoas poder buscar esses imóveis. 

O certo é que, definitivamente, este não é o momento de pensar em ganhos altos. Principalmente em um setor que gozou de boas margens de retorno há pouco tempo. Qualquer negócio que não dê prejuízo neste momento pode ser considerado um sucesso. E imóvel parado é como avião no chão: só dá despesa. 

 

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