O cuidado para iniciar a retomada

Editorial / 08/04/2020 - 06h00

Um dos maiores desafios enfrentados por todas as esferas de governo no mundo diante da pandemia do novo coronavírus é determinar, como, e quando, afrouxar as determinações de isolamento para retomar a realidade habitual. Uma equação que vai muito além das questões de saúde e envolve ainda a preocupação com o componente econômico e os efeitos de uma longa paralisia produtiva. Mas que deve sempre levar em conta os riscos de precipitação, capazes de gerar números de infectados e mortos bem maiores do que os atuais.

Não se trata do momento de decidir só por números, impulso ou indícios, mas com base em questões concretas. E indicar, mais do que determinar, parece ser o caminho mais correto, numa conversa de mão dupla entre os executivos Federal, estaduais e municipais. Na teoria, permitir de forma gradual a reabertura do comércio e outras atividades não-essenciais se mostra adequado para as cidades com nenhum ou poucos registros, sempre evitando ao máximo situações de aglomeração. 

Outros fatores a serem levados em conta são o risco de facilitar os deslocamentos intermunicipais ou regionais, fazendo com que pessoas infectadas de grandes centros, muitas vezes assintomáticas, transportem consigo o vírus. E nunca é demais lembrar (algo inclusive ressaltado pelo prefeito de BH, Alexandre Kalil), que as ocorrências mais graves de saúde “caem na conta” das capitais e cidades de maior porte, mais bem equipadas em termos de atendimento intensivo. O que pode determinar o caminho de um caos sem precedentes.

O elevado número de casos suspeitos no Estado é indicativo, mais até do que os confirmados, de que a diminuição do volume de contágio pode ainda não estar tão próxima. A cada dia, mais se descobre sobre o comportamento do vírus, fatores que favorecem sua disseminação e estratégias ideais de enfrentamento. Sem tais dados consolidados e comprovados, é preferível caminhar de braços dados com a prudência.

Mais até do que no isolamento social, qualquer política dependerá da adesão e do respeito da população. Algo que, como se vê, ainda não é irrestrito. Políticas firmes de prevenção em relação a empresas, funcionários e serviços, bem como medidas punitivas eficazes têm de ser consideradas para “enquadrar” quem insiste em minimizar os efeitos de uma crise de saúde global.
 

 

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