O massacre no colégio paulista e suas lições

Editorial / 14/03/2019 - 06h00

A sucessão de tragédias que assola o país, este ano, teve novo capítulo, ontem. Seguindo um roteiro visto algumas vezes no Brasil e em muitas ocasiões em escolas norte-americanas, dois homens – um adolescente, de 17 anos, e um adulto, de 25 – invadiram, armados e com máscaras de caveiras, um colégio estadual em Suzano, em São Paulo, pela manhã. 

Antes de cometer suicídio, os criminosos, que parecem ter planejado friamente a ação, assassinaram oito pessoas, entre elas cinco alunos, duas funcionárias do estabelecimento e o dono de uma loja de carros, vizinha à escola, e deixaram 11 feridos e centenas de outras pessoas em pânico.

Embora ainda não sejam totalmente claras as motivações que levaram os dois rapazes, ex-estudantes da unidade, a cometer o massacre, tal ocorrência suscita, além de tristeza e perplexidade, importantes reflexões. 

A primeira é sobre a falta de segurança, de modo geral, em escolas públicas brasileiras. A unidade de Suzano, por exemplo – assim como outras, palcos de crimes semelhantes e recentes –, tinha as portas abertas e sem vigilância quando os assassinos chegaram. 

Um aluno, testemunha do caso e que conseguiu sair ileso, chegou a relatar que “qualquer um entrava no prédio”, principalmente, às quartas-feiras, quando o local sedia aulas de línguas para pessoas estranhas à comunidade escolar.

Tal falta de controle, infelizmente, repete-se em inúmeros estabelecimentos de ensino espalhados pelo país. Outra questão diz respeito a casos crescentes de violência, com agressões de todo tipo, que ocorrem no sistema educacional público brasileiro, inclusive na capital, conforme relatado nesta edição. 

Trata-se de algo que o Poder Público parece ter dificuldade para combater e prevenir e que tem potencial para gerar atitudes tão trágicas quanto a dos criminosos de Suzano.

Além disso, aspectos como a facilidade de acesso a armas, o “bullying”, ainda comum, e o desrespeito às regras e à hierarquia do ambiente escolar só contribuem para elevar o sentimento de insegurança. 

Espera-se que o massacre de São Paulo, assim que for plenamente compreendido, sirva, ao menos, de lição para que casos assim jamais voltem a ocorrer. 

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