O risco presente da segunda onda

Editorial / 17/10/2020 - 06h00

A Prefeitura de Belo Horizonte deu mais um passo no esforço de reabertura das atividades depois das restrições causadas pela pandemia de Covid-19 ao agendar, para o dia 31, a autorização de funcionamento de cinemas, teatros e casas de espetáculo. E para o fim de novembro a retomada de feiras e eventos de negócio. Além da ampliação dos horários de funcionamento dos shopping centers. 

Como os anteriores, passos ditados pelo monitoramento de casos, óbitos e comprometimento de leitos de UTI em decorrência do novo coronavírus; números que, felizmente, se encontram em queda, mesmo com a flexibilização. E algo a ser comemorado, mas que não pode, em nenhum modo, esconder uma realidade preocupante: a da possibilidade de uma segunda onda de contágio. Algo que vários países europeus vivem neste exato momento, com a retomada de medidas restritivas, de modo a evitar um cenário mais drástico. Situação que, mais do que nunca, deve servir de alerta.

Ainda que o vírus seja extremamente frágil, é quase desnecessário recordar sua capacidade de disseminação e transmissão em proporção geométrica. Em um determinado momento, havia poucas ocorrências no país mas, diante de uma resposta algo demorada, evoluíram para os mais de 5 milhões de infectados e as mais de 150 mil vidas perdidas. E é consenso entre especialistas que uma política mais rigorosa de alguns prefeitos e governadores evitou catástrofe sanitária ainda maior, diante de uma postura no mínimo polêmica do Governo Federal, recusando-se a reconhecer a gravidade da situação.

Diante de uma perspectiva ainda incerta em termos da imunização, é fundamental que a população abrace o conceito de ‘novo normal’ com todas as cautelas mantidas, minimizando ao máximo os riscos e entendendo que tem papel determinante no que diz respeito a um eventual novo aumento de casos. Por outro lado, espera-se que as esferas do Executivo não desmobilizem toda uma estrutura pensada para o enfrentamento e tenham planos de contingenciamento e ação prontos. Em relação à Covid-19, não se pode nutrir a ilusão de que a situação atual é definitiva e permite um afrouxamento total das medidas e posturas.
 

 

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