Plano Diretor agita o mercado imobiliário

Editorial / 11/07/2019 - 06h00

A aprovação pela Câmara Municipal, no mês passado, do novo Plano Diretor de Belo Horizonte mexeu com o mercado imobiliário da capital, conforme reportagem desta edição. 

Entre as regras da legislação, a principal responsável pelo agito no setor é a que estabelece a “outorga onerosa” – contrapartida que empresas terão que pagar à prefeitura se quiserem expandir empreendimentos além do coeficiente 1.0.

Segundo a PBH, a medida irá frear a especulação imobiliária e ajudar a descentralizar a ocupação urbana, contribuindo para que haja verticalização menos agressiva da cidade e, ao mesmo tempo, promovendo a expansão para além da avenida do Contorno. 

Na prática, de acordo com empresários do segmento, contudo, a mudança deverá reduzir drasticamente o potencial construtivo dos empreendimentos. 

Com isso, imóveis ficariam de 30% a 40% mais caros, o que poderia inviabilizar novos negócios e forçar investidores a debandarem da capital para cidades vizinhas.

Diante da expectativa de sanção do Plano pelo prefeito Alexanre Kalil, o que pode ocorrer a qualquer momento, parte das incorporadoras da cidade iniciou uma corrida para comprar terrenos e lotes, principalmente na região próxima à avenida do Contorno. 

A intenção é adquirir as áreas a bons preços, dar entrada nos pedidos de licença na prefeitura e obter autorização para construir antes da entrada em vigor da nova lei. 

Por outro lado, donos de tais imóveis também tentam vendê-los rapidamente aos construtores, com o temor de que, após a validação da “outorga onerosa”, os terrenos percam valor de mercado – o que, segundo especialistas, é bastante provável que ocorra.

Fato é que o ambiente está propício para as partes. O que se espera, porém, é que, com as novas regras, a população seja a maior beneficiada. 

Ninguém quer a cidade cada vez mais verticalizada e vítima da especulação imobiliária, que muitas vezes se pauta pelo desrespeito à qualidade de vida dos cidadãos em favor de lucros financeiros. 

Da mesma maneira, o setor de construção civil, fundamental à economia do município, não pode ser prejudicado.

 

 

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