Reajustes nas escolas de BH chegam a 14,63%

Editorial / 11/12/2019 - 06h00

O reajuste das mensalidades nas escolas particulares de Belo Horizonte para 2020 pode chegar a 14,63%. Reportagem desta edição revela que o percentual é quatro vezes superior aos 3,78% de alta da inflação, apurados pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, para o período entre dezembro de 2018 e este mês.

Ao consultar algumas escolas particulares da capital, a reportagem apurou que os aumentos no valor das mensalidades apontam para variações entre o mínimo de 3,7% e o máximo de 14,63%. Sempre acima da inflação, portanto. O Sindicato das Escolas Particulares de Minas Gerais (Sinep-MG) admite que as mensalidades são, normalmente, reajustadas além do índice oficial da inflação.

A Lei 9.870/99, que regulamenta o reajuste pelas escolas particulares, determina que os estabelecimentos de ensino devem usar uma planilha de custos para atualizar as mensalidades. No entanto, não define um teto para esse aumento. A explicação do Sinep-MG para a prática de reajustes diferentes entre uma escola e outra é que cada uma delas tem sua planilha específica de custos, que inclui salários dos professores, custos de manutenção e as chamadas melhorias pedagógicas.

Diante deste cenário, o sindicato pondera ainda que as escolas particulares não têm interesse em praticar reajustes excessivos, cientes de que esse tipo de medida pode levá-las a perder alunos. 

E é importante ressaltar que há outros aumentos de preços sendo praticados no país que vão pesar no bolso desses mesmos pais que planejam manter seus filhos em escolas particulares. A carne, em especial, produto estimado na mesa do brasileiro, registra reajustes próximos dos 50%, sem qualquer perspectiva de que possam ser revertidos a curto prazo. A própria ministra da Agricultura, Tereza Cristina, afirmou, no mês passado, que os preços mais altos praticados sobre a carne vieram para ficar.

Portanto, o desenrolar da economia neste momento recomenda parcimônia às escolas particulares e a outros serviços que, para manterem a qualidade no atendimento, precisam reajustar preços. A medida mais indicada, certamente, é segurar a clientela – tanto oferecendo serviços melhores quanto cobrando o que ela possa pagar. 

 

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