A perfeição, essa utopia

Evaldo Magalhães / 10/05/2019 - 06h30

É senso comum, eu sei, mas ninguém consegue ser perfeito o tempo todo e em tudo. Como dizem os cristãos, se nem Jesus agradou a todos, embora fosse um cara sensacional e, aparentemente, sem defeitos – passou por tentações e teve dúvidas no caminho, é verdade, mas superou um a um os percalços –, por que logo o Cabuloso agradaria?

Esse nariz de cera é pra dizer que, em certo sentido, achei até bacana a prova, dada quarta-feira na deprimente derrota no Mineirão para o Emelec, por 2 a 1, de que meu time não está com todo o cartaz que alguns gostaríamos. E de que ainda precisa comer muito feijão para chegar ao terceiro título da maior disputa sul-americana, como todos queremos.

É fato que, com uma vitória, sem que Fábio tomasse gols, seríamos o primeiro time da história da Libertadores a encerrar a fase de grupos com 100% de aproveitamento e sem ter a meta vazada. Mas quem disse que clubes que têm desempenho extraordinário na primeira etapa do torneio vencem no final?

Não vi qualquer histórico da competição, como fiz na semana passada ao analisar a performance celeste no Brasileirão. Contudo, não me vem à mente, em relação a certames recentes, uma única equipe que tenha sido tão superior às outras na fase classificatória.

Opa, esperem! Uma sequência súbita de sinapses deflagrada pelo colega Dum cospe aqui na minha impressora cerebral a folhinha dizendo que o Atlético Nacional, da Colômbia, em 2016, foi o melhor nos grupos, com 16 pontos em seis jogos (cinco vitórias e um empate) e sem levar um gol sequer. E foi campeão!

Mas, convenhamos, foi uma exceção. 

Para citar caso oposto e ainda fresco na memória (do Dum), lembremos do River Plate, campeão de 2015. Na fase de chaves com quatro times, os argentinos se classificaram na bacia das almas, donos do pior segundo lugar, em campanha pífia de apenas sete pontos nos mesmos seis jogos, com uma derrota, quatro empates e apenas uma vitória.

Ou seja, essa conversa de ser indefectível, imbatível, inexpugnável não significa grandes coisas, tanto no futebol quanto na vida, visto que todo gigante toma seus tombos. 

Por mim, sinceramente, é melhor ser 80% ou até menos na etapa inicial de um processo qualquer, e vencedor na sua conclusão, do que iniciar a caminhada com todo o gás e ir perdendo fôlego. Até que, no momento derradeiro, deixamos escapar uma conquista e frustramos um bocado de gente, inclusive nós mesmos.

Encerrado o trecho reflexivo desta crônica, chega a hora de cornetar: não posso me omitir diante da escalação de Mano Menezes para a partida contra os equatorianos, com um monte de reservas e três, eu disse três (!), volantes, mesmo dentro de casa. 

Sem querer desmerecer o adversário, mas já o fazendo, a defesa deles parecia a Lua, de tantos buracos, e fomos extremamente incompetentes (e mal conduzidos) ao não conseguir meter ao menos três gols no tal Dreer.

Quanto ao primeiro tento levado pelo melhor goleiro do Brasil, em que a bola bateu no travessão e depois no ombro dele antes de entrar (e não nas costas, como alguns atleticanos engraçadinhos quiseram fazer crer), vale o raciocínio feito alguns parágrafos acima: todo ídolo tem seus dias de azar ou de falhas. 

E tenho dito.

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