Caça às bruxas

Evaldo Magalhães / 24/05/2019 - 06h10

Eu descobri por que o Cruzeiro levou 11 gols em quatro jogos contra times grandes do Brasileirão (Flamengo, Internacional e Fluminense, duas vezes), marcando apenas quatro. Achei, finalmente, o culpado pelo desastre defensivo e a inoperância ofensiva do Cabuloso nesta fase pós-título mineiro.

Encontrei a responsabilidade pelo terrível desempenho contra o Flu nos dois confrontos seguidos, um pela Copa do Brasil e outro pelo campeonato de pontos corridos, nos quais finalizamos quase nada contra uma avalanche de chutes a gol do adversário. Fora, claro, a sapatada levada no último sábado.

Num lampejo, tive a resposta para a total falta de sintonia entre nossos atletas, de uns tempos pra cá. Os mesmos caras que, até outro dia, pareciam seguir tranquilos e confiantes rumo a algo como o Nirvana dos passes precisos, do futebol brilhante, da disposição e da obediência tática. 

Não, o motivo não é uma suposta obsolescência dos métodos de trabalho de Mano Menezes – que continua, a meu ver, como um dos melhores técnicos do país. Também não há qualquer relação com um imaginado desacordo entre jogadores e comissão técnica, um quiprocó no qual os primeiros estariam sob nítida influência dos desagregadores de plantão – talvez, empenhados em derrubar o maestro por conta de visões divergentes sobre o andamento da ópera.

Tampouco pode-se atribuir o perigo de passarmos por um longo tempo de vacas magras a um desarranjo nas contas do clube. Salários atrasados, incompetência administrativa, falta de planejamento? Nada disso afetará a trajetória do maior de Minas. Fio-me em declarações recentes de um de nossos dirigentes.

Ouço ainda, aqui e ali, alguns comentários insinuando que o tal rodízio de atletas, a pretexto de poupar peças do time para priorizar esta ou aquela competição, seria a razão de tamanha irregularidade no Cabuloso... Faz até mais sentido que as demais hipóteses, admito. Afinal, com escalações que dificilmente se repetem fica difícil cobrar excelência e padrão de jogo. Mas tranquilizo a todos: não é nada disso!

A culpa pelos infortúnios recentes do Cruzeirão é minha, e só minha. Como ocorre durante a missa católica, no momento em que o fiel reconhece seus erros perante Deus, eu digo, em alto e bom som (melhor, em caixa alta, pra que não reste dúvida): MEA CULPA, MEA MAXIMA CULPA!

O trem celeste anda ameaçando descarrilar simplesmente porque não estou mais acompanhando os jogos realizados fora de casa, pela TV, em um simpático churrasquinho situado na Praça Geraldo Torres, no bairro Padre Eustáquio. 

Isso mesmo. Tanto nas campanhas do bicampeonato da Copa do Brasil, em 2017 e 2018, quanto na reta final dos Brasileirões de 2013 e 2014, eu quase sempre assistia aos jogos em campos adversários lá no tal boteco.

Na mesma mesa, tomando a mesma marca de cerveja e comendo os mesmos petiscos – especialmente, o de almôndegas com molho de goiabada –, comemorei inúmeros triunfos celestes. E nunca, em dezenas dessas ocasiões, vi nosso time perder. 

Portanto, fiquem tranquilos, cruzeirenses de todos os cantos do Brasil e do mundo. Podem dar adeus à crise, porque vou retomar a vitoriosa rotina. 

O fígado e o bolso que me perdoem.

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