Caos, entropia, disrupção

Evaldo Magalhães / 13/09/2019 - 06h00

Uma das explicações jocosas que vi sobre a hashtag #FechadoscomCeni, que circulou esta semana entre as hordas cruzeirenses – junto a protestos contra a diretoria do clube e alguns jogadores –, é a de que os torcedores a criaram, simplesmente, por não aguentar mais tomar gols.

O “Fechados” seria um apelo ao treinador para que fortaleça, e muito, o setor defensivo da equipe. Afinal, sob o comando do ex-goleiro, sofremos aqueles 3 a 0 contra o Internacional, pela Copa do Brasil, e logo em seguida um acachapante 4 a 1 contra do Grêmio, em nada agradável manhã de domingo, no Independência.

Se a contagem iniciada com a dupla gaúcha prosseguir, vamos levar de cinco do Palmeiras, amanhã, e de seis do Flamengo, na rodada seguinte do Brasileirão. Deus nos livre!

Por falar em Palmeiras, não posso deixar de mencionar meu espanto com o ex-professor Mano Menezes, agora chamado de “Fratello” (irmão ou mano, em italiano) Menezes no Palestra – conforme me confidenciou o amigo Rildo Madureira, torcedor fanático do Verdão.

O cara passou seus últimos momentos no Cabuloso insistindo em não escalar um centroavante, matando-nos de raiva. Talvez ele tenha se fiado no sucesso da estratégia no saudoso 3 a 0 contra o Atlético, pela Copa do Brasil. 

Daí, logo que chega ao novo clube, põe o tal Luiz Adriano como autêntico ponta de lança e o caboclo ainda me faz um hat-trick contra o Fluminense!

Tudo bem que o resultado foi positivo para ‘nosostros’, já que nos manteve fora da zona da degola, deixando lá o time das Laranjeiras. Mas...

No Allianz Parque, neste sábado, minha expectativa é de que o “Fratello” Menezes esteja em péssima noite. E que, mesmo conhecendo como poucos nosso elenco e nossa forma de jogar, sucumba às armações do inteligente Rogério Ceni, independentemente do grupo que ele levar a campo – com ou sem alguns medalhões que, afinal, ele ameaçou colocar na geladeira; apostando na base e nos reservas mais convencionais ou não, mantendo a mesma estrutura dos últimos confrontos.

Fato é que não vejo a hora de essa crise terrível passar, dentro e fora das quatro linhas.

Eu bem sei que é do caos que surge a ordem; que é da entropia que vem o avanço; que é a partir da disrupção que um novo e promissor processo pode ser iniciado. E desejo que assim seja, para nós. 

Aliás, o uso de tais termos, originários da física, lembra-me do famoso “Caso Sokal”. 

Alan Sokal é um professor e pesquisador de física e matemática que, em 1996, escreveu um artigo “fake”, propondo que a gravidade quântica seria uma “construção social e linguística”. O sujeito adotou equivocadamente, de maneira proposital, uma série de termos das ciências exatas. Em seguida, submeteu o trabalho à conceituada revista “Social Text”, na qual foi aceito e publicado. 

Com isso, o autor quis provar uma suposta falta de rigor científico entre os acadêmicos de humanas: bastaria dizer abobrinhas entrecortadas por termos elegantes e inteligentes, emprestados de outras áreas científicas e sem a devida precisão, que haveria aplausos. Deu certo.

Então, com o perdão de Sokal, sigo na crença de que Ceni irá promover rigorosa disrupção em meio ao caos e à entropia atual do ambiente celeste. E que dará certo!

Publicidade
Publicidade
Publicidade
Comentários