Circuit breaker

Evaldo Magalhães / 13/03/2020 - 06h10

A semana foi marcada pelo caos. A pandemia do coronavírus abalou o mundo em todos os níveis que se possa imaginar: sistemas de saúde em colapso em diversos países, economias sendo deterioradas e pânico crescente e justificável entre as pessoas – por mais que nos digam para ficar calmos.

Para completar o cenário dantesco, surgiu uma nova guerra de preços do petróleo, em razão da queda da demanda pela commodity, com consequências ainda incertas. O dólar não parou de subir (passou dos R$ 5) e, também no caso brasileiro, para variar, pipocaram crises paralelas: do anúncio do “Pibinho” ao agravamento de desavenças entre Governo e Congresso.

Cá em Minas, a situação não foi muito diferente. Um Projeto de Lei com previsão de recomposição salarial a parte dos servidores virou cavalo de batalha entre Executivo e Legislativo, aumentando tensões internas e entre os poderes e colocando em risco reformas e outras medidas que possam diminuir o rombo das contas estaduais. 

Nessa barafunda toda, uma expressão em inglês usada no mercado financeiro ganhou os noticiários e entrou de vez no léxico cotidiano nacional: “circuit breaker”. Trata-se de um sistema de proteção que, baseado em evoluções do próprio mercado, suspende automaticamente por meia hora o funcionamento das bolsas de valores quando elas caem de maneira vertiginosa. De segunda a quinta-feira, o mecanismo foi acionado nada menos do que quatro vezes na Bovespa.

Assistindo ao jogo de quarta-feira, entre o ridículo Cruzeiro de Adilson Batista e o CRB, pela terceira fase da Copa do Brasil, fiquei procurando desesperadamente um “circuit breaker” para apertar.

A derrota por 2 a 0 até que foi o de menos. O que chamou atenção mesmo foi a enorme desorganização do time, um amontoado de jogadores tecnicamente fraquíssimos e sem esquema tático definido, a não ser o famoso DMAB – “Defende de Montoeira e Ataca de Bololô”. É duro acompanhar lances de atletas como João Lucas e Éverton Felipe, por exemplo – mas a verdade é que ninguém se salva naquele junta-junta, a não ser, claro, o goleiro Fábio. 

Quando o árbitro encerrou a peleja, as perspectivas para o ano ficaram ainda mais tenebrosas.

Na manhã de quinta-feira, o bom senso pareceu ter prevalecido, com uma espécie de circuit breaker acionado no clube: AB chegou a ser dado como demitido, após conquistar uma única vitória nas últimas oito partidas. No decorrer do dia, contudo, a notícia virou fumaça, e o treinador seguiu trabalhando. 

Fato é que cansei de seguir as movimentações desse mercadinho. Enfim, como sei que tenho voz nula, decidi fazer o que tenho feito dezenas de vezes ao dia, desde que a Covid-19 começou a nos infernizar: lavar as mãos.

 

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