Clássico é clássico. E vice-versa...

Evaldo Magalhães / 12/04/2019 - 06h00

Costuma-se atribuir ao ex-atacante Jardel, ex-Vasco, Grêmio e um bocado de outros clubes, a frase nada original que dá título à coluna de hoje. Uma pesquisa rápida, porém, mostra não apenas que a declaração, uma das mais famosas do bestiário nacional do futebol, pode ser creditada a outros astros da bizarrice varzeana, como jamais teria sido dita.

Não importa. 

O que interessa é que a ideia de que “clássico é clássico, mas clássico também é clássico (ou vice-versa)”é de uma profundidade inigualável. Genial, eu diria. É quase um “koan” – aquelas máximas típicas de historinhas zen budistas formadas por aspectos às vezes contraditórios e não imediatamente acessíveis à razão.

Os jogos entre Cruzeiro e Atlético são prova cabal disso.

Raramente, prevalece nesses incríveis confrontos a boa fase de um time em detrimento da maré baixa do outro, como poderia ditar a lógica. 

Mesmo fatores que os “idiotas da objetividade”, como diria Nelson Rodrigues, gostam de destacar – como scouts, números de desempenho e outras estatísticas – não costumam influenciar os resultados. O embate entre os dois é quase sempre definido por detalhes que fogem à nossa capacidade de antever o que acontecerá em campo. 

É como se toda vez que Raposa e Galo ficassem frente a frente alguém apertasse o botão de um “Gerador de Probabilidade Infinita”, aparelho da icônica nave “Coração de Ouro”, do “Guia do Mochileiro das Galáxias”, que levava os personagens aos lugares mais loucos e estranhos do universo. Não se sabe jamais aonde aquilo vai parar.

Portanto, não se iludam. 

Não é porque o Cabuloso deu uma sapatada no Huracán, no Mineirão, no meio da semana, com direito a novo hat-trick do Fred, que o resultado da ida das finais do Mineiro esteja mais fácil de prever.

Tudo bem, o “Rei do Stories” nunca havia marcado gols pelo time na Libertas e fez logo três de uma vez. Tudo bem também que a equipe chegou à 17ª participação na competição sul-americana e à 17ª classificação na fase de grupos. E tudo bem que venha mostrando um futebol cada vez mais afinado. 

Mas sabe o que isso quer dizer? Nada.

Igualmente, não dá para afirmar que, só porque o time de Vespasiano dançou uma sonora polca paraguaia contra o Peñarol, digo, Cerro, no mesmo dia e horário, as favas estejam contadas.

Tudo pode acontecer no domingo. Tudo.

Se, por um lado, os celestes entram mais tranquilos em campo, dispostos a manter o padrão dos últimos jogos – o que os colocaria em indubitável vantagem –, por outro os atleticanos, envergonhados e mordidos pelo desastre em Assunção e já sem Levir, têm tudo para buscar uma senhora reabilitação nos domínios do adversário.

Da mesma maneira, não adianta saber que, desde 2000, as duas equipes fizeram 15 disputas de mata-mata e que o Cruzeiro levou a melhor em dez, algo que desenharia bom prognóstico a nosso favor na decisão deste ano. Ainda mais quando lembramos que o mais importante dos 15 foi justamente a definição da Copa do Brasil de 2014, vencida, pela primeira e única vez, pelo Alvinegro (“Quarta-feira tem mais!).

Resumindo a ópera: clássico é clássico e vice-versa. Um dos dois, ao final, será vice. E o outro, não.

Nem versa. Será(emos) campeão(ões)! 

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