Está ruim, mas pode (e deve) melhorar

Evaldo Magalhães / 09/01/2020 - 06h00

A situação de desespero dos cruzeirenses entre o final de 2019 e o começo deste ano é, indiscutivelmente, bem pior que a da média dos brasileiros e mineiros – obviamente, aqueles que não torcem pelo “Maior do Estado”. 

Uma iminente guerra entre EUA e Irã, com graves reflexos na economia mundial? A conturbada situação política nacional? Crises na saúde e na educação? O baixo nível geral de educação das pessoas, inversamente proporcional à burrice manifestada nas redes sociais? A violência que ainda grassa no país? A avalanche de fake news que nos assola diariamente? O desemprego, o endividamento das famílias, o preço da carne, tudo isso cada vez mais nas alturas?

A maioria de nós, habitantes do “Bananão”, como refere-se ao país o amigo Rubinho Troll – vocalista, nos anos 80 e 90, de uma lendária banda punk belo-horizontina, cujo nome omito para que este texto não seja “tagueado” como impróprio pelo Google –, vem sendo obrigada a encarar tais fantasmas. 

Digo a maioria porque, embora ínfima, parece existir certa casta do país alheia a tais perrengues. Mas deixa pra lá. 

Fato é que só mesmo nós, os fanáticos e apaixonados cruzeirenses, somos obrigados a acrescentar a tal rol de tristezas a estupefação e a gigantesca insegurança quanto às turbulências da equipe do coração. Afinal, passado o impacto da queda para a Segunda Divisão, e a retirada, tardia, mas muitíssimo bem-vinda, da diretoria incompetente e gananciosa que a precipitou, esperávamos que bons ventos, enfim, voltassem a soprar na Toca II. 

Que nada! A cada dia que passa, no cavalgar cotidiano deste amargo janeiro, surge uma nova decepção.

Demissões em massa são anunciadas no clube; outro dia mesmo, um dirigente de peso, que assumiu o cargo prometendo austeridade e soluções, pulou do barco duas semanas após nele subir – talvez por ter visto o tamanho real do buraco no casco. 

Recentemente, ficamos sabendo, com igual surpresa, que o sujeito mais preparado para comandar nosso departamento de futebol até topou o desafio, mas ficará menos de dois meses no cargo! 

Enfim, são muitas notícias ruins, uma atrás da outra.

O alento, talvez, sejam informações que andam pululando por aí sobre “medalhões” que, por questões de limitação salarial, estão deixando o Cruzeiro. Aqueles mesmos caras que muita gente acusou de ter feito corpo mole na reta final do Brasileirão – supostamente desmotivados em razão de atrasos salariais. Já vão tarde!

Outro ponto positivo: a base, a julgar pelos primeiros confrontos do Cabuloso na Copinha São Paulo, parece vir mais forte que em anos anteriores. Quem sabe não saem dali os protagonistas de uma heroica campanha na Série B, que, triunfal, conduziria-nos de volta à elite, da qual jamais imagináramos deixar de fazer parte?

No mais, é agarrar com a paixão e a fé, para quem a cultiva, e torcer bastante pelo fim desse pesadelo.

Para o Campeonato Mineiro, que começa dentro de poucos dias, contudo, não tenho esperanças de um tri sequencial. Penso que o adversário, treinado por um venezuelano cujo sobrenome é também o nome artístico de uma importante pernambucana – a primeira transexual do país a se destacar como bailarina clássica –, virá com muito mais força que nosso desajeitado Cruzeirão. Mas é aquela história: quem sabe se, mesmo em desvantagem, não “biscoitamos” mais um Rural?

 

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