Hora de entrar nos eixos

Evaldo Magalhães / 24/06/2019 - 08h22

O Cruzeiro se reapresenta hoje, depois de um absolutamente IMERECIDO descanso de dez dias, e inicia preparativos, que devem durar uma quinzena, mais ou menos, para uma sequência das mais “punks” nas competições que disputa. 

Destaque, claro, para os clássicos com o time de Vespasiano, nos dias 11 e 17 de julho, pela Copa do Brasil, e para os confrontos com o River Plate, pela Libertadores, nos dias 23 e 30.

Fiquei imaginando como seriam (ou teriam sido) as conversas na Toca II durante o reencontro entre jogadores e comissão técnica – em meio a uma crise administrativa inédita na história do clube, com notícias desgraçadas surgindo a cada dia, e a uma nem tão inaudita maré baixa no futebol.

“E aí, cara, como estava Cancún?”, diria um atleta ao colega. “Rapaz, aprontei tanto lá que vou pedir pra ficar só na academia, recuperando a forma!”, responderia o sujeito. 

“Bicho, aproveitei a parada da Copa América e comprei um carro que só você vendo!”, anunciaria, orgulhoso, um terceiro.

Passadas as frivolidades iniciais da confraternização, quem sabe, os caras começassem a discutir coisas mais sérias: 

“E essa bagunça da nossa diretoria, hein?”, um deles questionaria. “Olha, até falei com meu empresário: será que não seria um bom momento para puxar o barco?”, comentaria o companheiro.

Já na prévia das atividades de gramado, na palestra do maestro, certamente surgiria aquele papo de coaching. Coisas como o clichê que diz que, para os chineses, crise é sinônimo de oportunidade... Ou aquele outro, segundo o qual é preciso ter ousadia para obter o sucesso... 

Também imagino Mano dando uma revisada rápida no histórico da equipe neste ano: a grande evolução nos primeiros meses, durante o Mineiro e a primeira fase da Libertas, e a queda brusca de produção no Brasileirão. Tudo isso, obviamente, dito de forma dura, sem passadas de mão na cabeça, inflexão quase militar, como um tapa de leve na cara de cada um do grupo (e na própria).

Diante de tantos lugares-comuns, não me espantaria se alguns jogadores até ficassem fazendo fuzarca no campo, uns com os outros, como meninos que retornam às aulas depois de divertidas férias, enquanto o professor repassa as notas e mostra a lamentável situação da turma.

Posso estar sendo injusto, até porque entendo é de torcer, não de jogar bola (profissionalmente) ou de treinar um time com a tradição do Cabuloso. Mas, sei lá, não devo estar muito distante da realidade.

O importante, de fato, é que o pessoal entre nos eixos rapidamente e possa, já na partida contra o Alvinegro da Grande BH, que será numa quinta-feira, mostrar um futebol muito superior ao que vinha apresentando – e, claro, bem acima do que tem sido praticado pelo adversário, que está em melhor fase. 

E que, ao final do primeiro jogo, em um Mineirão certamente lotado pela China Azul, não precisemos criar a expectativa de reversão de um placar desconfortável para o confronto da volta, na semana seguinte, no Horto. Sem essa de “quarta-feira tem mais”, por favor!? 

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