No coração das trevas

Evaldo Magalhães / 14/06/2019 - 06h10

Pausa no Brasileirão. Mas meu sofrimento com o Cruzeiro não acaba. Deveria ser interrompido também, porque a vontade é de dizer um sonoro chega às bagunças do setor administrativo, às denúncias de irregularidades, ao possível atraso nos salários. 

E, principalmente, ao futebol pífio que o time tem apresentado – embora Mano e os jogadores tenham dito, sábado último, após o empate sem gols com o Corinthians, no Mineirão, que estávamos em “visível evolução”. Inacreditável!

Fico até sem ânimo para comentar a derrota vergonhosa para o Fortaleza, anteontem, no Ceará. Só me resta mesmo apontar certa estupefação: o que o nosso técnico (será que continua? Caiu, já?) tentou fazer no segundo tempo? Marquinhos Gabriel na vaga de Dodô, na lateral???

Faço minhas as palavras de um dos maiores narradores do rádio mineiro, Alberto Rodrigues, cruzeirense de alta cepa que certamente precisou se conter para não soltar palavrões no ar, durante a transmissão da partida, no momento em que acumulávamos nove jogos sem vitórias e ostentávamos o título de defesa mais vazada da competição nacional: “Estão querendo acabar com o Cruzeiro. Só pode ser isso!”. 

Adorei, diga-se de passagem, o “sujeito indeterminado” usado pelo autor da pérola “Terrível, Osvaldo, terrível...”.

Enfim, tentemos colocar a tristeza de lado, Nação Azul! O barato agora é prestar atenção nas nossas seleções; a dos marmanjos, na Copa América, e a das meninas, que ontem deram uma bobeira danada contra as Matildas, levando virada inexplicável após estarem vencendo por 2 a 0. 

No caso das moças, devo confessar – para a revolta de muita gente, prevejo – que não gosto do futebol que jogam. Não é que eu odeie. Até porque acho super bacana a evolução delas nos gramados e torço para que conquistem cada vez mais audiência e sucesso. Esporte e atletas valorizadas, sem preconceito, é o que desejo.

Mas não posso me furtar a dizer que os jogos são sonolentos, a falta de velocidade e de agilidade de algumas peças me irrita, a organização tática é primária. 
De qualquer forma, acompanho Marta e companheiras a cada confronto e procuro vibrar lance a lance, mesmo que, eventualmente, dê umas cochiladas. 

Tomara que cheguemos ao título inédito, apesar de eu não confiar nem um pouco no trabalho do treinador, boleiro das antigas e, para mim, já bem ultrapassado em se tratando de conhecimentos que deveria dominar.

Em relação aos rapazes, acredito que o caminho possa ser mais tranquilo. Sem Neymar, com o tornozelo machucado e a moral e o bolso seriamente atingidos, o time até que ganhou uma cara mais “coletiva” e tem tudo para fazer grande campanha, que começa hoje à noite, contra a Bolívia, de Marcelo Moreno. 

Por falar no Moreno, quem sabe ele não aparece por aqui, após a competição de seleções, com uma eventual saída de Fred, e dê um pouco de alegria à torcida celeste?
O que não quero mais é sentir-me como o capitão Kurtz, de “Apocalypse Now”, vendo os jogos do Cabuloso sem esperança, no coração de trevas que jamais pensei em conhecer. 

Um Marlon Brando careca e decrépito, com a camisa cruzeirense, babando no sofá, à mesa de um bar ou nas cadeiras do Mineirão, resmungando, em vez do célebre “The horror... the horror...”, um sofrido “Série B... Série B...”. Tô fora!

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