Sufoco em dose dupla

Evaldo Magalhães / 08/11/2019 - 06h10

Mesmo sem valer título ou posição, digamos, privilegiada na tabela em relação aos G-4 ou o G-6, o 70º clássico do Brasileiro entre Cruzeiro e Atlético, domingo, tem tudo para ser um dos mais animados dos últimos tempos.

O maior motivo é que ambos – muito mais o Cruzeiro, claro – estão na bacia das almas, vêm de temporadas terríveis, enfrentam a descrença das torcidas e precisam muito da vitória para obter um respiro. Bater o rival, em situações assim, é como tomar um refrescante banho de descarrego.

Para nós – e é bom frisar que escrevo sem saber os resultados de Ceará x Inter, São Paulo x Flu, Botafogo x Flamengo e Grêmio x CSA, jogos que envolvem equipes em briga de foice conosco na parte de baixo da classificação –, é praticamente uma partida de vida ou morte.

Afinal, um fracasso pode decretar a volta do Cabuloso à zona da degola, a seis rodadas de acabar o suplício de 2019, e deixar muito mais complicada nossa ainda possível missão.

Triste, contudo, é lembrar que o Cruzeiro, após o empate com o Athletico, na quarta-feira – em mais uma confronto que deveria valer a Fábio o processo de beatificação –, virou líder isolado em placares iguais no Brasileirão deste ano. Não dá mais para tolerar tais resultados.

Falando no jogo com os paranaenses, conto aqui o sufoco que passei durante a peleja, muito maior que o vivido pelos nossos bravos atletas em campo. 

Saí do jornal por volta de 21h e parei em uma distribuidora de bebidas, perto de casa, para comprar umas latas de combustível para a alma. Paguei com débito e, em seguida, fiz pit stop na farmácia. Na boca do caixa, percebi que o tal cartão havia sumido – ficara na maquininha do estabelecimento anterior.

Nem peguei o carro: voltei correndo a pé até a distribuidora, onde ninguém deu notícias do meu dinheiro de plástico. Aí, sim, começou a suadeira: eu ligava insistentemente do celular para o banco para cancelar o cartão, mas uma gravação dizia não haver “parâmetros de segurança” para a operação. 

Fábio fazia seus milagres e aquela estrovenga de Furacão, que já garantiu vaga na Libertas, perdeu o técnico na véspera e teoricamente não deveria ter mais nada a fazer este ano, pressionava a gente sem dó nem explicação. Eu seguia com o celular no viva-voz, sobre o sofá, ansioso para cancelar a bagaça, imaginando que quem a “achou” estivesse, àquela altura, comprando móveis e eletrodomésticos às minhas custas. 

Pois foi bem na hora em que o péssimo árbitro (irmão do PC Oliveira) apitou o fim do jogo que um atendente de carne e osso surgiu do outro lado da linha. Alívio. O desespero no campo terminou e o cartão foi devidamente bloqueado, sem prejuízo para mim. Já para o meu time...

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