Vida que segue

Evaldo Magalhães / 17/05/2019 - 06h00

Posto-me diante do teclado e da tela branca do editor de texto assim que o juiz apita o fim do primeiro tempo de Fluminense x Cruzeiro, primeiro jogo das equipes pelas oitavas da Copa do Brasil, na quarta-feira. O cenário é desanimador. 

O que estará havendo com o Cabuloso? Botaram chumbo nas chuteiras da turma? O grupo terá passado por um curso intensivo sobre como não jogar futebol? Ou será que os atletas estão em um conluio absurdo para derrubar o técnico com o cargo mais duradouro do país, como andam imaginando paranoicos cruzeirenses?

Foram 45 minutos mais descontos de puro sofrimento, sem uma única finalização. “Manobol” na alta. Orejuela, substituto do problemático Edílson, pareceu estar determinado a nos deixar com saudades do concorrente. Rodriguinho, a quem admiro, me lembrou o Lilico, eterno último menino a ser escolhido pelos capitães nas peladas de rua da minha infância. Fred, irreconhecível, soma cinco jogos de jejum.

A partida recomeça no Maracanã e resolvo relatar, enquanto dou espiadas na TV, um fato curioso que ocorreu no domingo passado. O lastimável confronto com o Internacional, pelo Brasileirão, havia “acabado de acabar” quando recebi mensagem de um grande amigo no celular. Era o Nédio, que nem liga muito para futebol, mas sempre me envia gozações quando o Cruzeiro tropeça.

“Sei que foi um dia difícil para você, mas é a vida que segue”, era o que ele dizia. Dei aquela risadinha amarela e respondi com uma figurinha do Caito Mainier, humorista que faz sucesso ao lado dos impagáveis Daniel Furlan, Raul Chequer e Leandro Ramos no programa “Choque de Cultura” – que você PRECISA assistir, caso não conheça. 

Nela, o “Rogerinho do Ingá”, personagem do Caito, motorista de van, diz: “Eu acho que não tinha que tocar nesse assunto”. Pausa rápida: Pedro Rocha faz um golaço aos 12 do segundo tempo, aproveitando belo passe do garçom Robinho. Um lance que destoa do padrão do Cruzeiro de ultimamente. Ufa!

Retomando: Nédio enviou, logo na sequência, um pedido de desculpas. “A intenção foi outra”, escreveu. E foi aí que me dei conta: ele não estava me sacaneando, como costuma fazer. O intuito fora lembrar o Dia das Mães e se solidarizar comigo, já que ambos perdemos nossas queridas progenitoras recentemente. Agora, veja você a que ponto chega a pessoa apaixonada por um time de futebol e, circunstancialmente, acabrunhada com mais uma derrota... Quem pediu desculpas, tão logo a coisa se esclareceu, fui eu! 

Caso relatado, volto novamente as atenções ao jogo com o Flu, que empareda os letárgicos cruzeirenses. Quanta incompetência nossa, meu Deus! Opa, opa, opa! Vamos acabar cedendo o empa...

Droga! Aos 48 minutos, na última volta do ponteiro, um tal João Pedro, que o narrador descreve como “menino de ouro” das Laranjeiras, iguala o marcador. Era o típico resultado de “favas contadas”, dada a pressão que vínhamos sofrendo. 

Enfim, parafraseando o Nédio: sei que foi um dia difícil para todos nós, os doidos da cabeça, mas é a vida que segue... Amanhã, encaramos os cariocas no Maraca mais uma vez, só que pelo Brasileiro, e, no dia 5, lotaremos o Mineirão pela classificação e pela manutenção do sonho do hepta da Copa do Brasil. Ah, sim, antes que me esqueça: que azar pegarmos logo o River Plate nas oitavas da Libertas, hein? Haja “manobol”!

 

Publicidade
Publicidade
Publicidade
Comentários