Xô, Mundo Invertido!

Evaldo Magalhães / 11/07/2019 - 06h00

O editor pediu a coluna para esta quinta-feira, e não para sexta, como sempre, em razão do aguardado primeiro clássico das quartas de final da Copa do Brasil, jogão que deve lotar o Mineirão de esperançosos torcedores celestes, hoje à noite. 

Na segunda-feira, depois de um fim de semana bacana com a família, comecei a traçar o enredo da crônica: eu planejava falar, de forma singela, da “volta da emoção”, depois do hiato da chatíssima Copa América. Minha ideia era pontuar que as apresentações da Seleção Brasileira – à exceção, talvez, do polêmico confronto com a Argentina – e das demais equipes do torneio haviam sido dignas daquela expressão clássica: “de dar calos nos olhos”. 

Umas peladas enfadonhas, com média baixíssima de gols (tirando a extravagante goleada sobre o Peru), um bocado de empates e desempenhos técnicos e táticos típicos da Série C do Brasileirão. Sem falar daquela porcaria do VAR, que mais atrapalhou do que ajudou, convenhamos. 

No domingo passado, por exemplo, tanto na decisão da Copa do Mundo Feminina, entre EUA e Holanda, quanto na sonífera final entre o time do Tite e o Peru, vi dois pênaltis inexistentes. Mas o VAR os confirmou. Paciência.

O que eu escreveria mesmo era que, passado um mês de um quase torpor, sem muitas alegrias ou decepções significativas provocadas pelo ludopédio – a desclassificação da Seleção Feminina diante da França fora mais do que esperada –, teríamos de volta aquilo que mais amamos na vida: nossos clubes em ação, em compromissos decisivos e sequenciais. “A paixão reassume o comando de tudo!”, eu diria, logo no título.

Mas, aí, eis que acordo na terça-feira, cedo, dois dias antes da partida que marcaria tal retomada, e deparo-me com notícias sobre nova investida de agentes da lei contra os dirigentes cruzeirenses. 

As matérias falavam no cumprimento de 16 mandados judiciais na sede do Barro Preto, na Toca e nas casas de gente graúda da administração. Papelada, material de escritório e computadores apreendidos e carregados por uma turma toda de preto e branco que, não fosse a logomarca da Polícia Civil estampada nas blusas, poderia se passar tranquilamente por um braço de organizada do nosso maior adversário.

A expectativa pelo duelo no Gigante da Pampulha, onde poderíamos averiguar, enfim, se a parada de tantos dias havia servido para turbinar o Cabuloso, transformou-se subitamente em tristeza e dor. 

Em seguida, vi que Rodriguinho, que poderia aparecer ao lado de TN10, presenteando-nos, quem sabe, com belas jogadas e gols, passaria por cirurgia e ficaria afastado por longo período. Ontem, outra bomba: o Cruzeiro poderia perder seis pontos no Brasileiro, por causa de uma confusão envolvendo o passe do William Bigode, e despencaria para a lanterna da competição (felizmente, esta última não procedia, como me informaram).

De qualquer forma, o que parece ter ocorrido, em poucos dias, foi a reabertura de uma grande ferida que nos incomodava desde 26 de maio, quando saiu aquela matéria maldita no Fantástico, mas que estaria se fechando aos pouquinhos, pela ação do tempo. 

Que nem o portal interdimensional de “Stranger Things”.

Mas tomara que, nesta noite, apesar de tudo e de todos, incluindo os monstros e “demogorgons” que pululam no horizonte celeste, a gente consiga explodir de vez o tal mundo invertido. 

 

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