Fiemg sinaliza um cenário mais favorável para 2021

Fábio Caldeira / 21/11/2020 - 06h00

A travessia do deserto de 2021 vai requerer ainda mais conectividade e sinergia no planejamento e nas ações entre o primeiro, o segundo e o terceiro setor. A FIEMG, conduzida de forma proativa e articulada pelo seu presidente Flávio Roscoe, apresenta nesta entrevista aspectos internos e externos para uma efetiva recuperação econômica e social de Minas Gerais.

Qual a expectativa da indústria mineira para 2021, após um 2020 extremamente complexo?

O ano de 2020 está sendo extremamente complexo para todos os setores, mas a indústria tem superado as perdas do ano mais rapidamente que o segmento de comércio e serviços. Entre os fatores que estão favorecendo o desempenho da indústria neste ano, posso destacar o Auxílio Emergencial, que impulsionou a retomada do consumo de bens duráveis, a MP 936, a redução da taxa Selic e do custo de capital viabilizando projetos de investimentos na indústria, a depreciação da moeda brasileira frente ao dólar impulsionando as exportações industriais, sobretudo de alimentos e minerais, ao mesmo tempo que tem facilitado um processo de substituição de importações e o reconhecimento da indústria como atividade essencial. 
Para o ano de 2021, as expectativas são positivas. O Índice de Confiança dos Empresários da Indústria (ICEI) da FIEMG e da CNI indicam que os empresários mineiros e brasileiros estão otimistas com as condições atuais de negócios e para os próximos seis meses. Somam-se aos fatores positivos as perspectivas de encaminhamento das reformas tributária e administrativa em 2021, que são fundamentais para aumentar a competitividade industrial e para melhorar o ambiente de negócios brasileiro. 

Como podemos tornar o Estado de Minas mais competitivo em comparação com outros estados?

Minas Gerais conta com os principais requisitos para a atração de investimentos – amplo mercado consumidor, modais de transporte diversificados para escoamento de produção para todo o país, oferta de mão de obra qualificada e centros de pesquisa, entre outros. Contudo, o atual governo herdou um Estado com grave desequilíbrio fiscal e sem capacidade de investimentos, o que prejudicou a sua competitividade nos últimos anos. Diante desta realidade, a saída para ampliar os potenciais de atração de investimentos privados existentes em Minas Gerais passa pela recuperação das contas públicas, o que só é possível com uma agenda de reformas. Neste sentido, demos um passo importante com a aprovação da reforma da previdência e o próximo passo é a reforma administrativa. 

Paralelamente, o atual governo trabalha para melhorar o ambiente de negócios em Minas, o que tem sido feito com o apoio da FIEMG. Há um amplo canal de comunicação entre os empresários da indústria, representados pela Federação, e o governo de Minas Gerais. Temos atuado conjuntamente no sentido de retirar os entraves ao empreendedorismo e ao desenvolvimento dos setores produtivos mineiros.

Na sua opinião, a eleição do democrata Biden muda algo nas relações comerciais EUA com o Brasil, especificamente com MG?

A eleição do democrata Biden não deve alterar o comércio brasileiro com os EUA. Os Estados Unidos mantêm uma política comercial estável, com estrutura tarifária relativamente baixa na maior parte dos produtos, com picos tarifários e de subsídios em alguns bens agrícolas e industrializados. Para o Brasil e Minas, as restrições às exportações de alguns produtos, como o açúcar e aço, não devem ser eliminadas em 2021.
Em 2021, as exportações podem se beneficiar do crescimento e da rápida recuperação da economia chinesa após a pandemia. Na América Latina a situação mais desafiadora é a da Argentina, o maior mercado externo para produtos industrializados. A crise econômica em 2019 se somou aos efeitos da pandemia neste ano, o que projeta um cenário de grandes dificuldades na economia e no comércio exterior em 2021.
Entretanto, os principais desafios que Minas possui para se tornar uma economia competitiva frente a outros estados são: a melhoria da malha rodoviária do Estado, especialmente com investimentos em duplicação e pavimentação de estradas, a agilização do processo de desembaraço sobre águas para cargas com destino a zona secundária, o aumento de nossa malha aérea agilizando os processos de exportação e importação por este modal de transporte e a melhoria dos custos ocultos que permanecem na economia e que impactam sobremaneira a competitividade da indústria mineira.

 

 

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