CPI das Vacinas: detalhes de BH

Guilherme da Cunha / 12/04/2021 - 06h00

Muito tem sido debatido sobre a vacinação em Belo Horizonte na CPI das Vacinas em curso na Assembleia, da qual faço parte, e recentemente declarações conflitantes e decisões questionáveis do prefeito Alexandre Kalil (PSD) fizeram o assunto ganhar mais destaque.

 

O debate na Assembleia busca averiguar se a vacinação dos servidores administrativos da Secretaria de Estado de Saúde, que ocorreu na capital, foi feita com a autorização da Prefeitura ou à revelia dela, e se teria furado fila em relação a trabalhadores de saúde da chamada “linha de frente” do combate à Covid.

 

Até o momento, os depoimentos na CPI apontam para a autorização da Prefeitura, com a vacinação dos servidores tendo ocorrido com a senha do município e com as vacinas utilizadas sendo pertencentes aos lotes destinados a BH.

 

Sobre a fila, o critério determinado pelo Ministério da Saúde (bastante questionável) estabelece que os servidores das secretarias de saúde, sejam da linha de frente ou de setores administrativos, possuem prioridade maior até mesmo do que idosos de mais de 90 anos de idade. Entre eles, trabalhadores da linha de frente têm prioridade sobre servidores administrativos. E ouvimos, na CPI, denúncia de que em BH há muitos trabalhadores da linha de frente ainda não vacinados. Aqui entram as declarações conflitantes e decisões questionáveis do prefeito Alexandre Kalil.

 

Como a responsabilidade por efetuar a vacinação desses trabalhadores é das prefeituras, outros grupos (incluindo os servidores administrativos da secretaria de saúde ou os idosos) só poderiam ser vacinados na cidade depois que já houvesse em estoque vacinas suficientes para todos os trabalhadores da linha de frente. Os dados do Vacinômetro indicam que BH já recebeu 729.346 doses e aplicou 389.346, sendo 288.429 primeiras doses e 100.917 segundas doses. Ou seja, haveria 340 mil doses estocadas na cidade, o que seria suficiente para vacinar todos os trabalhadores de saúde da cidade. Esses dados indicam que não teria havido fura-filas, mas sim má gestão logística da vacinação pela Prefeitura, que foi incapaz de vacinar os prioritários mesmo tendo as vacinas em estoque.

 

Todavia, contrariando os dados do Vacinômetro, semana passada o prefeito Kalil declarou que a vacinação na cidade seria interrompida por terem acabado as vacinas. Duas horas depois ele voltou atrás e informou que a cidade tinha vacinas sim. Não foi a primeira declaração dele sobre vacinas que foi rapidamente desmentida. Duas semanas atrás, ele anunciou que estaria negociando 4 milhões de doses da vacina AstraZeneca. O próprio laboratório informou que não está negociando com nenhuma prefeitura.

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