De 3 a 52 em 20 meses

Guilherme da Cunha / 14/09/2020 - 06h00

Semana passada, deixei a vice-liderança do Governo Zema na ALMG, função que ocupei por 20 meses após ser indicado pelo próprio governador, em uma quebra de protocolo (normalmente, o líder escolhe seus vice-líderes), antes mesmo de minha posse. Em um almoço descontraído, pude compartilhar com ele um resumo da minha atuação e as razões que me levaram a deixar o cargo.

Logo após o primeiro turno de 2018, tudo indicava que Romeu Zema ganharia as eleições. Eu sabia que teríamos um desafio para estabelecer diálogo com o parlamento. Concorrendo por um partido sem histórico de alianças e sem fazer coligações, usando na campanha um discurso agressivo com o establishment que gerou desconfianças, tendo inicialmente em sua base apenas três deputados e sabendo que precisaríamos, para fazer a mudança que Minas necessita, aprovar emendas constitucionais, que exigem pelo menos 48 votos, o desafio era enorme.

Estava exausto pela campanha, mas, ainda no segundo turno, iniciei uma aproximação com os deputados eleitos para mostrar que o Novo queria e sabia dialogar. Desde então, conseguimos aprovar uma reforma administrativa que enxugou a máquina, cortando secretarias e dezenas de milhares de cargos. Aprovamos, também, com diálogo e sensibilidade, a reforma da Previdência com expressivos 52 votos, a pauta mais importante para Minas. Éramos 3, tornamo-nos 52! "
Durante esses 20 meses estudei no detalhe cada projeto e programa do governo para estar sempre pronto para defendê-los. Me expus abertamente em pautas impopulares, mas importantes.

Busquei ser cordial sempre que possível, duro e intransigente sempre que necessário. Atuei com a consciência que estabelecer amizades com os parlamentares ajudaria na missão, mas que o objetivo era defender o governo e suas pautas e isso não poderia nunca ficar em segundo plano, ainda que gerasse conflitos momentâneos.

Aprovadas as reformas administrativa e da Previdência, senti ser hora de me afastar da função para me dedicar à terceira pauta essencial para Minas Gerais: a retomada do crescimento. Combater a burocracia, apoiar o livre mercado e o empreendedorismo, tornar as leis mais amigáveis a quem quer trabalhar passaram a ser minha prioridade.

O governador Zema pode contar sempre comigo. Saio com a sensação de dever cumprido, a tranquilidade de que a deputada Laura Serrano (Novo) é uma sucessora capacitada para manter o diálogo que conquistamos nesses desafiadores primeiros 20 meses e animadíssimo para o desafio que tenho à frente: fazer com que a liberdade não seja apenas uma palavra na nossa bandeira.

 

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