O novo normal

Guilherme da Cunha / 25/05/2020 - 06h00

Enquanto escrevo este artigo, Belo Horizonte está para decidir se permitirá ou não a retomada de algumas atividades comerciais. As medidas de isolamento foram efetivas para conter o avanço da pandemia por aqui, bem como para que o número de mortes ficasse bem mais baixo que o de outras capitais.

Por outro lado, comerciantes, prestadores de serviços, autônomos e trabalhadores informais estão sofrendo pesadas perdas econômicas, muitas vezes comprometendo o próprio sustento ou a sobrevivência das empresas, o que já provocou uma onda de desempregos que pode se agravar.

É natural que muitos enxerguem a autorização para reabrir como tábua de salvação. Todavia, o retorno da plena normalidade não é o que exemplos do Brasil e do mundo nos indicam que acontecerá. Tudo leva a crer que um novo normal, ainda muito difícil, ocorrerá por um certo tempo.

Na Suécia não houve quarentena imposta. Ainda assim, a projeção é de queda no PIB levemente superior à de seu vizinho escandinavo que decretou medidas legais de isolamento: enquanto a queda projetada da Suécia é de 6,1%, a da Dinamarca é de 5,9%. No desemprego, a projeção da Suécia é de elevação em 2,9% sobre o total da população, enquanto na Dinamarca é de 1,4%. A diferença mais notável, todavia, é o número de mortos em relação à população, três vezes maior na Suécia que em seus vizinhos. Ter ou não adotado restrições legais ao funcionamento de atividades é apenas um dos fatores que influenciam nesses números, mas fica evidente que a vida não é normal sob o coronavírus mesmo onde o governo decidiu não agir.

Um exemplo no Brasil: em Curitiba restaurantes estão autorizados a funcionar, mas na semana passada o dono de uma famosa rede com sede naquela cidade divulgou que a clientela caiu mais de 90%.

Não são apenas os decretos públicos que impactam as atividades econômicas. O medo legítimo da população de se contaminar e os cuidados voluntários de isolamento que ela adota também têm seu peso. Ignorar o problema não o faz ir embora, como nos mostra a Suécia. Dar uma canetada dizendo que tudo voltou a ficar bem não afasta o medo, como nos mostra Curitiba. O que elimina o medo é um sistema de saúde confiável, preparado para atender a todos que necessitarem e a certeza que uma mudança nas regras não ocorre por pressão política ou ideológica, mas por análise cuidadosa e responsável.

Neste ponto Minas leva vantagem sobre vários outros lugares do Brasil e pode retomar mais rapidamente a normalidade pré-Covid. Em nosso Estado o governo não politizou o vírus. Aqui podemos confiar que a reabertura acontecerá com segurança.

 

 

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