O que seria possível fazer com a economia da reforma da previdência?

Guilherme da Cunha / 29/06/2020 - 06h00

Semana passada, o Senado votou o projeto do Novo Marco Legal do Saneamento, que permitirá mais investimentos em água tratada e esgoto para até 100 milhões de brasileiros que, segundo dados da Trata Brasil, ainda vivem sem um desses itens essenciais. O projeto era polêmico.

Parte da oposição tentou rotular falsamente como “privatização da água”, mas os senadores tiveram a coragem necessária para fazer o melhor para a coletividade, ainda que contrariando interesses específicos dos sindicatos das empresas estatais de água e esgoto.

Que a votação do Senado sirva de exemplo para a Assembleia de Minas que votará a Reforma da Previdência dos Servidores Estaduais nas próximas semanas. O projeto, que corrige distorções entre aposentadorias e pensões do serviço público e aquelas de todos os demais brasileiros, já está sendo rotulado por alguns de seus opositores como “destruição do serviço público”. Os servidores já estão organizados e pressionando os deputados para votarem contra.

O cidadão comum segue longe da discussão, talvez por não ter entendido que a reforma também tem a ver com ele. Por não ver que os R$20 bilhões que a cada ano são retirados dos impostos de 21 milhões de mineiros e destinados para tapar o rombo da previdência e garantir as aposentadorias e pensões com regras especiais de apenas 300 mil servidores inativos, fazem falta em coisas que poderiam mudar sua vida. Sabe o que poderia ser feito com esse dinheiro?

Com os R$2,3 bilhões de redução esperada no rombo apenas no primeiro ano, caso seja aprovada a Reforma, seria possível construir uma nova linha do metrô de BH.

Com o esperado para apenas um mês de economias, em caso de aprovação, seria possível construir a ponte sobre o Rio São Francisco, na cidade de São Francisco, e ainda perfurar mil poços de água. Quantas pessoas do norte de Minas seriam beneficiadas?

Com apenas dois meses de economia conseguiríamos finalizar a construção de seis hospitais regionais de Minas Gerais, melhorando a saúde de milhões de mineiros.

Ou, se preferirmos políticas públicas que não sejam regionais e possam beneficiar quem mais precisa em todo o Estado, o valor economizado com a reforma da previdência seria suficiente para garantir uma renda mínima de R$165,00 para cada uma das 1,3 milhão de famílias que, segundo cadastro do CadÚnico, vivem na pobreza ou extrema pobreza em Minas Gerais.

A Reforma da Previdência é para o bem de todos os mineiros, e tá passando da hora da população em geral, e não apenas os servidores, se engajarem no debate dela.

 

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