Tecnologia e empregos

Guilherme da Cunha / 02/12/2019 - 06h00

Teremos nesta semana a votação de importantíssimos projetos de lei na Assembleia, que ajudarão na retomada do equilíbrio das contas do Estado, sobre os quais já tratamos e voltaremos a falar. Hoje, nossa conversa será sobre um projeto aprovado semana passada na Assembleia do Rio de Janeiro, que traz em sua essência um debate sobre evolução tecnológica e geração de empregos.

A Alerj aprovou o PL 502/15, do deputado carioca Rosenverg Reis (MDB/RJ), que obriga cada estacionamento no Rio de Janeiro a “colocar à disposição dos usuários locais de pagamento operados por pessoas, em número igual ao da quantidade de máquinas automáticas de cobrança já existentes ou que venham a ser instaladas”. Para cada totem de autoatendimento, será obrigatório existir também um caixa tradicional, com um funcionário contratado.

O autor justifica que a evolução tecnológica não pode acontecer em momentos de crise econômica e que ele busca preservar empregos. Curioso. Qual será o próximo PL do ilustre deputado?

Substituir os sensores automáticos dos postes de iluminação pública por interruptores manuais, para recriar os postos de trabalho dos antigos acendedores de lampião? Mais curioso ainda: o deputado noticiou a aprovação de seu PL por suas redes sociais. Se fosse coerente, teria enviado carta para seus seguidores, para preservar os empregos dos carteiros cariocas.

Deixando de lado as incoerências do deputado, que parece só querer fazer graça com o chapéu dos outros e não se importar que clientes de estacionamentos deixem de ter atendimento barato, ágil e eficiente, é fundamental refletirmos sobre outras duas questões: 

Primeira, tecnologia e emprego não são inimigos. O Japão e os EUA são dois países que fazem uso muito mais intensivo da tecnologia do que nós e possuem, respectivamente, 2,3% e 3,5% de níveis de desemprego, contra os nossos 11,6%.

Segunda, como já ensinava Milton Friedman, economista liberal ganhador de Prêmio Nobel, “políticas públicas devem ser medidas por seus resultados, e não por suas intenções”. Se a intenção é multiplicar as vagas de caixa de estacionamento, o que deve ocorrer é a redução do número de totens de autoatendimento, a redução dos postos de trabalho das fábricas que os produzem e das empresas que lhes dão manutenção e a criação de filas de pagamento para os clientes. Essas filas, aliás, nem serão ruins para os donos dos estacionamentos, pois, enquanto aguardam sua vez de serem atendidos, os clientes pagarão pelos minutos adicionais em que seus veículos permanecerem estacionados.

O PL foi aprovado por 40 votos a dois. Dois deputados cariocas do Novo foram os únicos que votaram contra.

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