Uma vitória histórica para Minas

Guilherme da Cunha / 07/09/2020 - 09h00

Se a sua definição de vitória histórica tem a ver com o chute do Elivélton no rebote do escanteio ou com a cabeçada do Leonardo Silva após cruzamento do Bernard, você precisa prestar atenção na aprovação da reforma da Previdência que ocorreu na última sexta-feira na Assembleia, não passou ao vivo na TV, mas foi uma vitória gigante e histórica para Minas Gerais.

Se nas conquistas da bola havia a possibilidade de buscar novas glórias nos anos seguintes, como o bi do Brasileirão e a Copa do Brasil de 2014 podem provar, Minas talvez não teria uma segunda chance se deixasse o momento passar.

Com salários de servidores parcelados e atrasados há cinco anos, arrecadação reduzida e despesas de saúde ampliadas por causa da pandemia, Minas precisa de cada centavo para se reerguer e continuar honrando seus compromissos e atendendo sua população nos serviços essenciais. A reforma da Previdência gerará uma economia aproximada de R$200 milhões por mês, que é mais que o orçamento mensal da Fhemig, R$1 bilhão até o final do ano (incluindo o 13º), e mais ainda no futuro, pois seus efeitos se ampliam com o tempo.

E se nas conquistas da bola apenas metade do Estado pôde comemorar de cada vez, a reforma da Previdência é motivo de celebração para todos os mineiros.
Para os servidores, apesar das queixas, a reforma é boa, como aquela derrota de 1 a 0 na última rodada que garante o título pelo saldo de gols. A redução do déficit da previdência gerada pela reforma ajudará na continuidade dos pagamentos e a colocar salários e 13º em dia, que são prioridades para o governo.

Para o restante da população de Minas, a reforma é espetacular. Primeiro, porque faz justiça. A reforma valeu para todos os poderes e aproximou as regras de aposentadoria dos servidores estaduais daquelas às quais todos os demais trabalhadores mineiros estão submetidos, combatendo privilégios. Segundo, porque permite que uma parcela maior dos impostos pagos por todos seja usada em benefício de todos, ao invés de serem canalizados apenas em favor de uma minoria.

Antes, um terço de tudo que os 21 milhões de mineiros pagavam em impostos para o Estado era canalizado para cobrir o rombo da previdência, beneficiando apenas os cerca de 300 mil servidores inativos. Com a reforma e a redução do rombo, uma parcela maior poderá ser destinada para a educação, saúde e segurança de cada cidadão.

Após vencer as eleições com apenas três deputados em sua base, formar um secretariado técnico e sem indicação política e precisando de 48 votos para aprovar a reforma, a vitória da semana passada foi construída com muito diálogo ao longo dos últimos vinte meses, foi suada e sofrida, e isso a torna ainda mais especial. Não deixe de comemorar. Minas levantou a taça do jogo mais importante dos últimos anos.

 

 

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