A difícil situação das crianças e adolescentes na pandemia

Irlan Melo / 19/04/2021 - 06h00



Já estamos há 13 meses lutando contra o coronavírus e todos os desdobramentos que a pandemia nos tem ocasionado. Recentemente escrevi sobre o desafio das mulheres e hoje quero trazer um alerta sobre a situação das crianças e adolescentes, que muitas vezes passa despercebida nas famílias, no governo e até mesmo na ciência. A quarentena está refletindo na forma com que as crianças se comportam e desenvolvem. Sono alterado, emoções à flor da pele, falta de escola, de interação, ensino a distância e a alta exposição a equipamentos eletrônicos são apenas alguns dos problemas enfrentados.

 

Em 2020, cerca de 86 milhões de crianças em todo o mundo entraram em situação de pobreza, segundo avaliação do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e da organização não governamental Save The Children. A estimativa das entidades considera que as circunstâncias socioeconômicas acentuadas durante a pandemia da covid-19 podem elevar em 15% a parcela de crianças que vivem sob essa condição.  Segundo a pesquisa, a renda das famílias com crianças e adolescentes caiu; aumentou o número de famílias que não conseguiram se alimentar adequadamente porque a comida acabou e não havia dinheiro para comprar mais.

 

Na educação, o fechamento das escolas por um longo período tem sido uma grande preocupação para os pais. Junto ao isolamento social, tem impactado profundamente a aprendizagem, a saúde mental e a proteção de crianças e adolescentes. Nesse contexto, alunos de escolas particulares estão dando um salto à frente dos de escola pública, o que aumentará ainda mais a desigualdade num futuro próximo.

 

Ainda de acordo com a pesquisa da Unicef, todos esses desafios afetaram a saúde mental de crianças e adolescentes. Segundo a pesquisa, 27% dos respondentes relataram que adolescentes no domicílio apresentaram insônia ou excesso de sono. Além disso, 29% relataram que os adolescentes tiveram alteração no apetite e 28% disseram que os adolescentes tiveram diminuição do interesse em atividades rotineiras. No total, 54% das famílias relataram que algum adolescente do domicílio apresentou algum sintoma relacionado à saúde mental.

 

E os desafios não param por ai: a pandemia acentuou os casos de violência contra crianças e adolescentes. De acordo com os dados da Sistema Nacional de Proteção à Infância, houve um aumento nos casos de violência infantil desde março de 2020, mês em que a pandemia começou a se agravar aqui no Brasil. Em abril daquele ano, o Governo Federal recebeu 19.663 denúncias de violência sexual contra crianças e adolescentes, sendo um aumento de 47% em relação ao mesmo período de 2019. Sem contar que os registros são subnotificados, uma vez que, em sua maioria, eles se originavam das escolas e hospitais. Conselheiro tutelares relatam que muitos pais passaram a descontar as insatisfações e frustrações nos filhos, que são espancados pelos mesmos.

 

Sabemos que os desafios que enfrentamos nessa pandemia são inúmeros. Somente com empatia e muita fé vamos superar esse momento. Mas vamos cuidar das nossas crianças, faço esse apelo. E, caso necessite, denuncie pelo Disque 100.

 

 

 

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