A dor da perda

Irlan Melo / 18/01/2021 - 06h00

Ao pensar no assunto da minha coluna semanal, confesso que somente um tema me veio à mente. A perda de amigos pela Covid-19 e a dor que tal situação faz em nossas vidas. Quero compartilhar com vocês a minha experiência pessoal a fim de “ouvir” um retorno daquilo que temos vivido desde que esse maldito vírus chegou a nossa nação. 

Logo no início, fui infectado. A sensação é que estava com uma doença terminal. Preocupação com a esposa, filhos, pai, mãe, amigos e colaboradores que dependem de mim imediatamente sobrevieram e era a hora de “arrumar as coisas” para que se fosse chegada a minha hora de encontrar com o Eterno, tudo estivesse mais ou menos em ordem.

Mas o pior não aconteceu. Fiquei praticamente assintomático e meus familiares mais próximos testaram negativo. O tempo foi passando e, com ele, pessoas próximas a mim começaram a se infectar, mas ninguém tinha sido hospitalizado, o que vai deixando o medo de lado e vamos vivendo a vida, pensando sempre que as coisas vão melhorar. As crianças em casa, aulas online e eu exercendo o magistério de forma exclusivamente virtual e a vereança de forma híbrida. 

De repente uma amiga, de pouco tempo, mas uma irmã querida, juntamente com seu esposo estão infectados, hospitalizados, CTI, intubação. Começamos uma maratona de oração e buscando dar suporte no possível. A morte chegou para ela. 

Nem terminamos essa batalha e outra começou, uma amiga de infância, 30 anos de amizade e conversas constantes, quando a notícia chegou: infectada com a Covid-19. Nosso último diálogo inclui uma pergunta minha pra ela: “como você está?” e a resposta: “estou mal”. Dias no CTI e a morte também chegou. Uma amizade ceifada e cinco filhos e um esposo ficaram sem chão para prosseguir.

Outro amigo. CTI, intubação, orações e neste caso, vitória. Na mesma semana, mais um irmão, um homem de Deus, amigo, companheiro, conselheiro, humilde, íntegro e fiel, tombou na batalha. Estive no seu sepultamento e confesso que chorei muito, apensar da certeza que nos reencontraremos na vida eterna. 

Chegamos num tempo de decisão. Quantas vidas ainda estão no fio da vida e da morte. Quantas famílias enlutadas e quanta dor vivida até agora. A verdade é que precisamos de mais empatia, compaixão e choque de realidade. A morte e a vida estão como numa roleta russa mirando a TODOS nós. Vamos vencer essa batalha JUNTOS. A solidariedade é a nossa maior arma contra o vírus. Não abra mão da sua fé. Siga intercedendo a Deus por toda a humanidade e principalmente pelos heróis anônimos (profissionais da saúde) que estão nos hospitais, salvando e infelizmente perdendo vidas. 

Diga mais EU TE AMO! Não se esqueça que o amor é a força mais poderosa deste mundo e a Palavra de Deus diz: “(...) o verdadeiro amor lança fora, todo o medo. 

 

 

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