A importância da fé em meio à crise

Irlan Melo / 07/06/2021 - 06h00

Ao longo de séculos, as religiões, em especial a igreja cristã, desenvolveram papeis fundamentais na sociedade, especialmente em momentos de crise. A Organização Mundial da Saúde (OMS) inclusive define a espiritualidade como um fator positivo na saúde psíquica, social, biológica e de promoção do bem-estar. Conforme o IBGE, no Brasil pelo menos 92% da população diz ter alguma religião. Apesar disso, práticas religiosas foram suspensas em níveis estaduais e municipais, contrariando o decreto do governo federal que inclui os cultos como atividades essenciais.

A igreja só existe em comunidade e inclusive foi por isso que Jesus se apropriou do termo “ekklesia”, que significa literalmente assembleia do povo. Por sua vez, como sabemos, assembleia é uma reunião de pessoas que têm algum interesse comum. A pandemia trouxe um grande desafio para os cristãos contemporâneos: como ser igreja, viver em comunidade e comunhão em tempos de distanciamento social.

No começo da pandemia ou nos momentos de pico da doença, a igreja se adaptou e se reinventou: graças à internet e à tecnologia, as celebrações continuaram acontecendo de forma digital. Mas com o passar do tempo, a necessidade de interação pessoal deixou mais evidente do que nunca que o homem é um ser relacional e a igreja tem importante papel nisso!

Nossa vida é impensável sem relacionamentos. Viver é relacionar-se e quanto mais relacionamos, mais felizes somos. Os relacionamentos suprem necessidades de afeto, de inclusão, de amar, de ser amado e de compartilhamento. Um dos sinais típicos da depressão é o afastamento e o isolamento e um dos sinais de felicidade é a liberdade de cultuar, festejar, viajar e se interagir. Justamente o que a pandemia nos privou!

Não podemos dizer que os meios virtuais suprem totalmente essa falta. Por sermos seres físicos, há coisas que não podemos fazer à distância. Não podemos experimentar todas as coisas do culto quando estamos sozinhos: não expressamos nossa alegria em louvores a uma só voz, não batizamos virtualmente e não partilhamos do pão da ceia.

Para muitos profissionais que trabalham na área da saúde e desenvolvimento pessoal, a fé e a espiritualidade são importantes em momentos de angústia e incerteza social. Por isso, manter as igrejas e templos abertos é essencial neste momento. "A religião teve um papel crucial ao longo dos séculos, com os templos e igrejas abertos, mantendo as pessoas animadas, alegres. E deixar as igrejas fechadas tira isso das pessoas", diz o pedagogo Felipe Nery, professor de Pós-Graduação na Faculdade de Direito da Universidade Católica Santo Toribio de Mongrovejo, em Lima, no Peru.

Defender a abertura de espaços religiosos não descarta a ciência. É possível unir as duas coisas, a razão e a fé. Elas não são inimigas. Como vereador em Belo Horizonte defendi e defenderei veementemente o direito constitucional ao culto, claro, observando todos os protocolos sanitários. Com empatia, cuidado e fé vamos juntos vencer essa crise mundial.

*Escrito em parceria com o jornalista Leandro Jahel

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