A vida das mulheres na pandemia

Irlan Melo / 08/03/2021 - 06h00

As mulheres têm sido as pessoas mais afetadas pela pandemia e hoje quero aproveitar o dia Dia Internacional da Mulher para refletir com você sobre os desafios que elas têm enfrentado em meio à crise que vivemos. 

O pior desafio ainda é a agressão e o feminicídio. Isolada dentro de casa e, na maioria das vezes, tendo de conviver com o agressor, um número crescente de brasileiras está sendo vítima de abuso doméstico na quarentena. Em abril de 2020, quando o isolamento social já durava mais de um mês, a quantidade de denúncias de violência contra a mulher recebidas no canal 180 deu um salto: cresceu quase 40% em relação ao mesmo mês de 2019, segundo dados do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos (MMDH). No primeiro semestre de 2020, os feminicídios aumentaram 2% no país em relação ao mesmo período de 2019, segundo o 14º Anuário Brasileiro de Segurança Pública.

Muitas mulheres ainda enfrentam uma rotina diária de tarefas domésticas, cuidado com idosos, crianças e pessoas com deficiência e ainda o trabalho remoto. Outras têm ainda que se expor para trabalhar fora de casa e garantir a sobrevivência de suas famílias. 

A pesquisa “Sem parar: o trabalho e a vida das mulheres na pandemia”, concluiu que entre as 2.641 mulheres entrevistadas, 47% afirmaram ser responsáveis pelo cuidado de outra pessoa: 57% são responsáveis por filhos de até 12 anos, 6,4% afirmaram ser responsáveis por outras crianças, 27% afirmaram ser responsáveis por idosos e 3,5% por pessoas com alguma deficiência. 

Crianças sem escolas ou com ensino remoto demandam mais atenção em casa. As que ainda trabalham fora, precisam se desdobrar para cuidar da casa, dos filhos no período que estariam na escola e ajudar financeiramente os esposos que estão desempregados. Por outro lado, as que estão desempregadas ainda precisam se virar para gerar renda em casa. Sem contar que, segundo o Ipea, metade dos lares brasileiros são sustentados por mulheres, que agora, precisam lidar com o aumento da demanda em casa e o desemprego. 

Esses “efeitos colaterais” ainda vão além: pesquisa realizada pela Escola de Educação Física e Esporte da USP revela que a pandemia levou um grupo de mulheres em remissão de câncer de mama a piorar suas condições de saúde. Outras, durante o isolamento, apresentaram ganho de peso corporal devido à inatividade física. Segudo a pesquisa “Women’s Forum”, as mulheres têm sido afetadas por estresse, medo e um sentimento de desamparo do que os homens desde o início da pandemia.

Nós homens não podemos ignorar esses fatos. É hora de unirmos, ajudar nas tarefas de lar, do cuidado com os filhos e dividir as responsabilidades em casa. Deixo aqui minhas congratulações a todas as mulheres que, mais do que nunca, estão sendo verdadeiras guerreiras. 

E não se esqueça em caso de agressão, denuncia no 180!
Escrito em parceria com o jornalista Leandro Jahel

 

 

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