Afinal, quem paga o carnaval de BH?

Irlan Melo / 24/02/2020 - 06h00

O Carnaval começou a ser comemorado há muitos anos, em especial na região Sul da Europa, entre membros do Catolicismo, como festa pagã, ou seja, que contrariava os preceitos propagados pela religião.

Estudos indicam que a palavra Carnaval tem como origem os termos latinos carne levare ou “para retirar a carne”. Esse significado tem relação com o período de Quaresma, no qual os católicos abrem mão de algumas comidas e bebidas e de parte de prazeres tidos como mundanos.

Desse modo, segundo pesquisas, um dia antes da Quarta-feira de Cinzas, alguns católicos realizavam festas e aproveitavam para comer bastante carne, pois sabiam que, a partir do dia seguinte, não poderiam degustá-la até o final do período de Quaresma.
Conforme a história do Carnaval, essa celebração pode estar relacionada a algumas festas de origem greco-romana dedicadas ao deus do vinho, Baco (ou Dionísio, para os gregos). 

Nas cidades, a festividade divide opiniões: uns veem no Carnaval uma oportunidade de renda e de injetar dinheiro através do turismo. Outros acham que as despesas nos hospitais, dos vandalismos, entre outros, não compensa. 

Em 2020 o tema ficou ainda mais delicado com o fato das fortes chuvas terem trazido inúmeros danos à Capital, que precisa ser reconstruída urgentemente. Por outro lado, a cidade se prepara para receber cerca de 5 milhões de foliões. Mas afinal, quem paga o Carnaval de BH? 

Para que essa expectativa seja cumprida, é necessário um investimento de R$ 14,3 milhões. Todo esse valor é financiado pela iniciativa privada, por meio de dois grandes patrocinadores. Desse montante, R$ 6 milhões são repassados em verba direta e R$ 8,3 milhões em planilhas de estruturas e serviços, captado por meio de Edital de Patrocínio.

Há de se convir que o Carnaval traz lucros para BH. Nossa cidade já é o 2º destino mais procurado pelos turistas. É claro que existem danos ao patrimônio, mais uso dos serviços públicos, etc. Mas tudo isso já deve ser previsto.

Há que se separar dois tipos de despesas. O primeiro diz respeito aos serviços públicos propriamente ditos; o outro, à festa em si, ou seja, os custos com fantasias, artistas etc. No último caso, a responsabilidade maior é dos participantes e organizadores dos eventos, que podem optar por alternativas simples ou sofisticadas e buscar o patrocínio do comércio local ou de fabricantes de produtos que desejam ter as suas marcas associadas às festividades.

Já no que concerne aos serviços públicos, ao autorizar o evento, a administração não pode se escusar de dimensionar e assegurar os aspectos relativos à segurança, limpeza, fluxo de trânsito etc.

Com cristão protestante, não celebro o Carnaval e desejaria que não houvesse essa festa por aqui. Mas entendo que a cidade é um lugar plural e que deve haver respeito e harmonia entre todas as pessoas.

 

 

 

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