E agora, o que faremos?

Irlan Melo / 13/07/2020 - 06h00

Nosso país se encontra dividido e essa polarização não começou recentemente. Ela vinha sendo gerada, foi nutrida por grandes eventos como que os ocorreram na última década e agora está mais viva do que nunca. 

O país se divide basicamente em três: quem aprova a opção política que hoje governa e a defende veementemente, quem votou contra e critica o governo com unhas e dentes e uma grande massa de cidadãos que preferem não participar desse diálogo de surdos. 

O primeiro grupo defende todas as decisões de seus políticos por mais confusas e contraditórias que possam ser. Por quê? Para manter a postura e passar a sensação que tudo está sobre controle. O segundo grupo aponta os erros, critica as decisões e são contrários a tudo, mesmo as coisas boas! Gritam o desespero por todos os canais possíveis por mais que saibam que nada pode mudar dessa forma. Por quê? Para manter a postura e a sensação de que está tudo arruinado e seguir na sua narrativa. Os dois grupos têm atitudes muito semelhantes!

O terceiro grupo segue sua vida. Se distanciam ao máximo das discussões dos bandos que gritam, mas não se escutam. Não os interessa entrar no debate, pois sofrem como todos a violência nas ruas, o caos da economia, o aumento do desemprego, a forma como temos lidado com a pandemia e a corrupção desenfreada. 

Os do primeiro e segundo grupos têm suas convicções e raramente dão ouvidos a opiniões distintas. Por isso escrevo hoje àqueles que não sabem o que fazer para a reconstrução das nossas cidades, estado e país. Para isso, quero aqui SUGERIR algumas ideias de Max Kaiser, advogado, presidente da Comissão Anticorrupção do México: 

Não seja “anti” ninguém. As pessoas são efêmeras e temporais, se for despenhar energia para ser “anti” algo, seja antiviolência, anticorrupção, contra o abuso infantil. Seja “anti” coisas, não pessoas. 

Acompanhe, exerça sua cidadania. Lutar pela reconstrução dos valores do nosso país não é algo que pode ser feito da comodidade do seu lar. É importante estudar e se unir a pessoas e organizações que defendem uma causa legítima e importante. Some, dedique ao voluntariado, faça algo pelo Brasil. 

Escolha bem. Existem todos os tipos de pessoas, é preciso buscar por organizações e pessoas sérias e realmente comprometidas com a sua causa. Para detectar isso, basta analisar quem está por trás e quem financia cada uma delas.

Comece pela sua rua. Nosso país será diferente quando cada cidadão se ocupar, cuidar e buscar mudar a sua própria rua. Lute por um bairro seguro, limpo e próspero.

Tenha uma relação direta com seus representantes. Não espere ser procurado por políticos às vésperas das eleições, estabeleça esse contato direto seja através da internet ou pessoalmente. Expresse a eles seus anseios e as demandas de sua comunidade. 

Talvez essas ideias não mudem nosso país de imediato, mas tenho certeza que, pelo menos, fará você sentir que contribuiu com algo, que não deixou de tentar, que fez parte da mudança da nossa cidade, estado e nação. Vamos? #Acordabh

Escrito em parceria com o jornalista Leandro Jahel.

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