Mais saúde e dignidade para as mulheres de BH

Irlan Melo / 27/07/2020 - 06h00

Hoje vamos começar nossa coluna de forma diferente. Acompanhe trecho da carta que recebi de uma avó. “Vereador Irlan Melo, gostaria de sugerir um projeto de lei com respeito à trombofilia. O motivo é único e irrefutável, e se resume em poucas palavras: perda, dor, frustração e saudades.

Em 2017, minha filha Joyce estava grávida de seu primeiro filho, nosso primeiro neto. A gravidez correu tranquila. Todos os exames e ultrassons apresentavam-se normais, a criança crescia em seu ventre dentro do esperado. Parto previsto para 04/09.

Em 24/08 arrumamos as malas da mãe e do bebê, na esperança de não esquecermos nada e, se ele, Santiago Lucas, resolvesse chegar antes, as malas já estariam prontas, assim como o quarto, enxoval, hospital escolhido, tudo certinho.

Último ultrassom agendado para 25/08/2017. Quando chegamos na clínica, fomos chamadas para fazer o exame, para nossa surpresa e desespero, a profissional que fazia o exame, fala pra minha filha: ‘Joyce, tenho a pior notícia da sua vida, seu bebê não tem batimentos cardíacos.’

Passado os dias de recuperação de uma cesariana de emergência, começamos uma saga de idas e vindas a especialistas. Precisávamos de respostas, até que ouvimos a palavra trombofilia.

Trombofilia é a tendência ao surgimento de trombose — doença caracterizada pela formação de trombos, ou coágulos de sangue. O problema é causado por deficiência na ação das enzimas responsáveis pela coagulação sanguínea. O quadro pode se desenvolver por hereditariedade ou surgir como condição adquirida. Pode aparecer durante a gravidez, só se sabe quando se perde um filho, no início ou fim da gravidez. Pode acontecer com qualquer gestante, em qualquer idade, em qualquer classe social. 

Há prevenção? Não. Mas há como investigar se a mulher tem tendência a desenvolver a trombofilia, antes mesmo de engravidar. Exames específicos de sangue podem detectar alterações que indicam a propensão à trombofilia. Uma vez detectado alguma alteração, a mulher que quer engravidar, ou no início da gravidez fará uso de medicamento (anticoagulantes) que impedirá perda fetal. 

Nosso desejo é que todas as mulheres em idade fértil, tenham conhecimento da trombofilia, e que lhes seja dada informação adequada, que tenha o direito de receber gratuitamente o tratamento, sem burocracia, porque sair da maternidade de braços vazios, é o pior que pode acontecer para uma mãe.”

De acordo com especialistas, a trombofilia é normal de acontecer e o exame e tratamento são caros. A notícia boa é que eu apresentei o Projeto de Lei e ele foi aprovado, seguindo agora para a sanção do prefeito!

Com a Lei “Santiago Lucas” toda mulher atendida na rede pública municipal de saúde à investigação terá direito ao exame genético que detecta trombofilia e ao respectivo tratamento. Pelo direito à saúde. 

 

 

 

Publicidade
Publicidade
Publicidade
Comentários