Um ano de Brumadinho

Irlan Melo / 27/01/2020 - 06h00

Há exatamente um ano, o mundo conheceu a pequena Brumadinho, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Não pelas suas belezas naturais e pela hospitalidade de seu povo, mas pelo maior crime ambiental do mundo: o rompimento da barragem da Vale.

O total de mortos na tragédia é de 259. Outras 11 pessoas continuam desaparecidas.

Além da incontável perda humana, material e natural. Da dor, da tristeza e de todo o colapso que a tragédia causou, até que nós nos manifestássemos, nada se falava sobre mais um grande problema ocasionado pelo rompimento poderia causar: a falta de água em Belo Horizonte.

Eu trouxe essa notícia alarmante ao conhecimento público, ao assumir o grande desafio de ser o relator da CPI das Águas e Barragens na Câmara Municipal de Belo Horizonte.

Foram dezenas de reuniões, visitas e centenas de páginas de um relatório que trouxe um grande alerta para BH: a possibilidade de falta de água em nossa cidade no começo de 2020.

Nosso esforço ganhou as páginas dos jornais, apelo da mídia, alcançou a esfera jurídica e o apelo popular. Até que a Copasa e o governo de Minas admitiram que, se nada fosse feito, BH, de fato, ficará sem água no início deste ano. Após ter acesso à minha entrevista em jornal de grande circulação, a Vale foi obrigada judicialmente a construir uma nova fonte de captação de água para BH.

Já se passaram 365 dias dessa tragédia. O mar de lama que agora se solidifica demonstra o pouco caso da Vale com a reparação dos danos causados pela sua irresponsabilidade. Nossa CPI indiciou várias pessoas e o MP a acatou, tendo denunciado 16 pessoas por homicídio doloso, sustentando, assim como descrito na CPI, que houve um conluio entre a mineradora Vale e a consultoria alemã Tüv Süd.

Conforme ficou demonstrado, ambas as empresas tinham conhecimento da situação crítica da barragem que se rompeu, mas não compartilharam as informações com o poder público e com a sociedade e assumiram os riscos, gerando o crime.

Há um ano nesta luta, continuo trabalhando para que os responsáveis por este crime sejam punidos e o fantasma do rodízio e racionamento de água em BH desapareça de uma vez por todas. Continuarmos sem descansar até que a Vale pague pelos seus crimes.

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