Vacinar ou não vacinar, eis a questão

Irlan Melo / 11/01/2021 - 06h00

A vacina contra o Covid-19 se tornou o mais novo alvo da guerra de narrativas e da polarização em que vivemos no Brasil. De um lado pessoas ressabiadas são contrárias à vacinação e discutem sua obrigatoriedade. Outras pressionam os governos a buscarem às pressas a imunização da população, custe o que custar. 

Por incrível que pareça, não foi a primeira vez que isso aconteceu por aqui! Em meados de 1904, chegava a 1.800 o número de internações devido à varíola no Hospital São Sebastião. Mesmo assim, as camadas populares rejeitavam a vacina, que consistia no líquido de pústulas de vacas doentes. Afinal, era esquisita a ideia de ser inoculado com esse líquido. E ainda corria o boato de que quem se vacinava ficava com feições bovinas. (Agora se fala de jacaré!)

No Brasil, o uso de vacina contra a varíola foi declarado obrigatório para crianças em 1837 e para adultos em 1846. Mas somente em 1904, Oswaldo Cruz motivou o governo a enviar ao Congresso um projeto para reinstaurar a obrigatoriedade da vacinação em todo o território nacional. Apenas os indivíduos que comprovassem ser vacinados conseguiriam contratos de trabalho, matrículas em escolas, certidões de casamento, autorização para viagens etc.

Após intenso bate-boca no Congresso, a nova lei foi aprovada em 31 de outubro. Isso serviu de catalisador para um episódio conhecido como Revolta da Vacina. O povo, já tão oprimido, não aceitava ver sua casa invadida e ter que tomar uma injeção contra a vontade: ele foi às ruas da capital da República protestar. Mas a revolta não se resumiu a esse movimento popular e ganhou o palco político, como tem acontecido hoje!

Vivemos em um contexto bem parecido, mas com uma diferença muito importante: com os avanços da ciência, as vacinas são muito mais confiáveis e eficazes. É fato que a única forma de vencermos a pandemia é imunizando o máximo de pessoas, a exemplo do que acontece com outras doenças, mas precisamos de calma e equilíbrio.

Alguns governantes já estão se preparando para a vacinação. O Governo de Minas garantiu seringas para 90% da população e o prefeito de BH, Alexandre Kalil, assegurou que irá vacinar toda a população da cidade contra o novo coronavírus quando uma proteção estiver disponível e que o valor já está em caixa. 

Notícias como essas são confortantes para nós mineiros. Mas para que a vacinação ocorra, as fabricantes precisam atender uma série de critérios e protocolos que assegurem nossa integridade. Como disse anteriormente, precisamos de equilíbrio. A vacina é urgente, mas não podemos atropelar os processos. A vacina se tornou uma queda de braço política e, caso não haja sensatez, podemos pagar com nossas vidas. Com a devida aprovação da Anvisa, que sejamos vacinados!

Escrito em parceria com o jornalista Leandro Jahel

 

 

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