Cajueiro não dá coco

Jorge Alexandre / 08/11/2018 - 07h00

Esse início do processo de transição na Presidência mostra o que muitos já esperávamos: cajueiro não dá coco. Não se poderia esperar que o deputado Jair Bolsonaro conseguisse fazer um processo de transição diferente do que está ocorrendo, confuso e errático.

Primeiramente, como eu já comentei aqui antes, o deputado Jair Bolsonaro é um indivíduo totalmente despreparado para a missão à qual se propôs. Em sua vida pública como militar ou parlamentar, sempre teve desempenhos abaixo da crítica. Em segundo lugar, porque fica cada dia mais claro que ele não sabe e nunca soube o que vai fazer como presidente da República. Dessa forma, usa a estratégia de “tentativa e erro”. Afirma que vai fazer algo e, quando a repercussão é a pior possível (como tem sido pra quase todas as medidas que ele tem anunciado), ele volta atrás.

A última é que já está pensando em desistir da mudança da embaixada brasileira em Israel. Depois da enorme repercussão negativa – que incluiu uma decisão dura do Egito de cancelar uma visita oficial do chanceler brasileiro àquele país –, o deputado Jair Bolsonaro anuncia que pode voltar atrás. Se tivesse um mínimo de preparo para ser chefe de Estado, teria feito uma análise simples e pensado que o Brasil tem uma relação comercial com os países árabes e o mundo muçulmano que supera em muito a mesma relação com Israel. Pronto, bastaria isso para concluir que a mudança da embaixada não passa de uma ideia cretina. Se vier a ser feito, será o movimento diplomático mais ideológico e desastroso da história da diplomacia brasileira.

Quanto ao outro protagonista da semana, podemos ir na mesma direção de concluir que não se pode esperar que um cajueiro fique carregado de cocos. O juiz Sérgio Moro fez o que se poderia esperar dele, agiu como um político que é e não como o magistrado que nunca foi.

Além do absurdo de ter aceitado ser ministro de um governo que ajudou sobremaneira a se eleger, a partir do uso indevido e parcial do cargo de juiz que ocupa, mostrou, em sua primeira entrevista após o aceite do cargo, sua extraordinária vocação para o cinismo político. Primeiramente, esqueceu-se da mais elementar das lições do servidor público: não basta ser honesto, tem que parecê-lo. Como nunca foi, sempre fez uso político de seu cargo como juiz, não se preocupou com aparências. 

O auge da entrevista do juiz Moro foi quando usou com maestria a mais simbólica alegoria do patrimonialismo: aos amigos tudo, aos inimigos, a lei. Quando perguntado sobre seu futuro colega de ministério, o deputado Onix Lorenzoni (que confessou ter cometido crime ao ter recebido ilegalmente R$ 200 mil), ele disse que tem grande admiração pelo parlamentar, afinal, ele admitiu seus erros e pediu desculpas. Haja politicagem!

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